Raul Bopp

Raul Bopp – Abisag

Meu corpo é teu, senhor. Queres beijá-lo? Por que colheste, no horto em que eu vivia, meu corpo em flor de tâmara macia, sem teres forças para machucá-lo? Na excitação de um lúbrico intervalo, sinto ânsia de amor na boca fria. Senhor, não vens? Ai, como eu te amaria nesse mesmo tapete em que eu …

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Raul Bopp

Raul Bopp – Lorgnette d´ouro

Sob a lorgnette d’ouro, em tédio humano, O olhar reflete a pompa do seu vulto, Quase à sombra das pálpebras oculto, Indiferente a todo olhar profano. Dentro do ebânico esplendor, o engano Borda o sonho de seda em vago culto, Morrerei nesse rútilo tumulto Como em soturna solidão de oceano! Pequeno inferno! Símbolo proibido! — …

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Raul Bopp

Raul Bopp – Sino

Sempre de tarde, na hora em que escurece, este sino na torre alta e sombria começa a dar adeus ao fim do dia, até que a última cor desaparece. Com que mágoa eu recolho a dor que desce no ermo do coração, tapera fria, acordando fantasmas de alegria. Ronda sentimental na hora da prece. Sino …

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Raul Bopp

Raul Bopp – Pelas ondas

Olha este barco como vai sereno, Levando nele os ledos namorados, Voluptos irrequietos e abraçados E tanto amor num bote tão pequeno! Fôssemos nós ali, com barco pleno Às ondas solto, muito descuidados… Meus dedos pelos teus bem apertados, Solto de renda o braço teu, moreno… O teu cabelo, assim, lá bem revolto… E o …

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