Tomai-me as ancas fartas dão para égua e as açucenas que ainda são mamudas. Dos olhos tomai pranto, é boa rega, já que a chorar por vós vos dei fartura....
Natália Correia
Não há revolta no homem que se revolta calçado. O que nele se revolta é apenas um bocado que dentro fica agarrado à tábua da teoria. Aquilo que nele mente...
Natália Correia – De perfil
Poesia com dor já comprei ou algo que de poesia tinha a cordial dissipação dos poemas que eu não escrevia. Agora pela romântica retórica de não ter dinheiro a vendo...
Com a essência das flores mais coniventes Na formosura, prepara o banho, Lídia. Os anos murcham e só no corpo sentes Quente e fagueira a passagem da vida. Não digas,...
Se em folhagem de poema me catais anacolutos é vossa a fraude. A gema não desce a sons prostitutos. O saltério, diletante, fere a Musa com um jasmim? Só daí...
Natália Correia – Auto-retrato
Espáduas brancas palpitantes: asas no exílio dum corpo. Os braços calhas cintilantes para o comboio da alma. E os olhos emigrantes no navio da pálpebra encalhado em renúncia ou cobardia....
Senhores juízes sou um poeta um multipétalo uivo um defeito e ando com uma camisa de vento ao contrário do esqueleto. Sou um vestíbulo do impossível um lápis de armazenado...
Quando um ramo de doze badaladas se espalhava nos móveis e tu vinhas solstício de mel pelas escadas de um sentimento com nozes e com pinhas, menino eras de lenha...

