Cecília Meireles

Cecilia Meireles – Dois

Daquele que antes ouvistes, vede o que volta: alguém que pisa no mundo tonto em seu grande tumulto de concha morta. Que rostos incompreensíveis, que sepultadas palavras aqui me esperam? Não sei dos vossos motivos. Eu caminhava nas nuvens, além da terra. Na minha fluida memória, meu tempo não sabe de hora. Apenas sabe de …

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Adélia Prado

Adélia Prado – Bulha

Às vezes levanto de madrugada, com sede, flocos de sonho pegados na minha roupa, vou olhar os meninos nas suas camas. O que nessas horas mais sei é: morre-se. Incomoda-me não ter inventado este dizer lindíssimo: ‘Ao amiudar dos galos.’ Os meninos ressonam. Com nitidez perfeita, os fragmentos: as mãos do morto cruzadas, a pequena …

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Mario Quintana

Mario Quintana – Poema transitório

Eu que nasci na Era da Fumaça: – trenzinho vagaroso com vagarosas paradas em cada estaçãozinha pobre para comprar pastéis pés-de-moleque sonhos principalmente sonhos! porque as moças da cidade vinham olhar o trem passar: elas suspirando maravilhosas viagens e a gente com um desejo súbito de ali ficar morando sempre… Nisto, o apito da locomotiva …

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Cecília Meireles

Cecilia Meireles – Um

Agora podeis tratar-me como quiserdes: não sou feliz nem sou triste, humilde nem orgulhoso, – não sou terrestre. Agora sei que este corpo, insuficiente, em que assiste remota fala, mui docemente se perde nos ares, como o segredo que a vida exala. E seu destino é ir mais longe, tão longe, enfim, como a exata …

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