Passo a noite a escrever. Do lado de lá da rua poderia alguém me ver, daquele prédio às escuras, em frente ao meu, e mais alto. Que voyeur me espiaria?...
Antonio Cicero
Antonio Cícero – Auden e Yeats
Eu exaltaria Auden, viajante atormentado, dialético e bizarro, e lhe faria uma ode se a tanto minha perícia e minha audácia bastassem. Ou quem sabe, Yeats, numa tarde feito esta,...
Antonio Cícero – La Capricciosa
É claro que estou exposto eu como todos os outros animais às intempéries que cedo ou tarde nos ferem; mas aqui a noite, seda, suavemente me enleia: espelhos olhares vinhos...
Antonio Cicero – Teofania
Sabe-se que um deus só vem porque quer e que é capaz de desaparecer a seu bel-prazer, por mero capricho. Nisso ele se assemelha mais a um bicho selvagem, feito...
Antonio Cícero – Templo
Para que as Musas residentes lá no Olimpo façam meus poemas palavras que desejem, eu que, à sombra de um deus muito mais triste, habito a fralda de uma montanha...
Como não te perderia se te amei perdidamente se em teus lábios eu sorvia néctar quando sorrias se quando estavas presente era eu que não me achava e quando tu...
Antonio Cicero – Buquê
Ó Sérgio, Sérgio, somos ainda crianças. Nossas almas são novas. Não chegamos a adquirir antigas ciências. Dizem que o que destroça de tempos em tempos nossas crenças são catástrofes, que...
Antonio Cicero – Alguns versos
As letras brancas de alguns versos me espreitam, em pé, do fundo azul de uma tela, atrás da qual luz natural adentra a janela por onde, ao levantar quase nada...
Antonio Cicero – Aparências
Não sou mais tolo não mais me queixo: enganassem-me mais desenganassem-me mais mais rápidas mais vorazes mais arrebatadoras mais volúveis mais voláteis mais aparecessem para mim e desaparecessem mais velassem...
Antonio Cicero – Guardar
Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la. Em cofre não se guarda coisa alguma. Em cofre perde-se a coisa à vista. Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por ...

