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João de Deus

João de Deus

João de Deus – Hino de amor

Andava um dia 
Em pequenino 
Nos arredores 
De Nazaré, 
Em companhia 
De São José, 
O bom Jesus, 
O Deus Menino. 

Eis senão quando 
Vê num silvado 
Andar piando 
Arrepiado 
E esvoaçando 
Um rouxinol, 
Que uma serpente 
De olhar de luz 
Resplandecente 
Como a do Sol, 
E penetrante 
Como diamante, 
Tinha atraído, 
Tinha encantado. 
Jesus, doído 
Do desgraçado 
Do passarinho, 
Sai do caminho, 
Corre apressado, 
Quebra o encanto, 
Foge a serpente, 
E de repente 
O pobrezinho, 
Salvo e contente, 
Rompe num canto 
Tão requebrado, 
Ou antes pranto 
Tão soluçado, 
Tão repassado 
De gratidão, 
De uma alegria, 
Uma expansão, 
Uma veemência, 
Uma expressão, 
Uma cadência, 
Que comovia 
O coração! 
Jesus caminha 
No seu passeio, 
E a avezinha 
Continuando 
No seu gorjeio 
Enquanto o via; 
De vez em quando 
Lá lhe passava 
A dianteira 
E mal poisava, 
Não afroixava 
Nem repetia, 
Que redobrava 
De melodia! 

Assim foi indo 
E foi seguindo. 
De tal maneira, 
Que noite e dia 
Numa palmeira, 
Que havia perto 
Donde morava 
Nosso Senhor 
Em pequenino 
(Era já certo) 
Ela lá estava 
A pobre ave 
Cantando o hino 
Terno e suave 
Do seu amor 
Ao Salvador! 

 

João de Deus, Antologia poética

João de Deus

João de Deus – Minha mãe

Quando a minha alma estende o olhar ansioso
Por esse mundo a que inda não pertenço,
Das vagas ondas desse mar imenso
Destaca-se-me um vulto mais formoso:

É minha santa mãe! berço mimoso
D’onde na minha infância andei suspenso;
É minha santa mãe, que vejo, e penso
Verei sempre se Deus é piedoso.

Como línguas de fogo que se atraem,
Avidamente os braços despedimos
Um para o outro, mas os braços caem…

Porque é então que olhamos e medimos
A imensa distância d’onde saem
Os ais da saudade que sentimos!

 

João de Deus, Cinco séculos de sonetos Portugueses