Ó torres da Cidade, ó grandes torres pardas Erguidas no esplendor dos ares cristalinos; Ó ninhos de granito, ó poéticas mansardas, Sonora habitação das aves e dos sinos! Ó campanários...
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Guilherme de Almeida
Nas ruas da Cidade, os brancos mostradores Dos relógios parecem olhos cismadores: Olhos sem vida, olhos de morto, olhos vidrados, Rasgados no perfil das torres pensativas, Na desanimação das longas...
Na Cidade da Névoa um triste abril desfolha Os plátanos da rua. Um tédio longo e lento Desce numa neblina e friamente molha A desanimação do pardo calçamento. O vento...
Lembrança, quanta lembrança Dos tempos que já lá vão! Minha vida de criança, Minha bolha de sabão! Infância, que sorte cega, Que ventania cruel, Que enxurrada te carrega, Meu barquinho...
Ela veio bater à minha porta e falou-me, a sorrir, subindo a escada: “Bom dia, árvore velha e desfolhada!” E eu respondi: “Bom dia, filha morta!” Entrou: e nunca mais...

