A minha Dor, vesti-a de brocado, Fi-la cantar um choro em melopeia, Ergui-lhe um trono de oiro imaculado, Ajoelhei de mãos postas e adorei-a. Por longo tempo, assim fiquei prostrado,...
José Régio
José Régio – Improviso corrigido
Se minto? Quantas vezes! Mas em palavras. Não Nos meus olhos castanhos portugueses, Nestas linhas atávicas da mão… Se minto?… Minto, pois! Mas nas orais palavras que vos digo. Não...
José Régio – Momento
Quem, nos meus olhos ardentes, Na minha testa cansada, Perpassa os dedos clementes, Poisa a mão fresca orvalhada…? Talvez a brisa da tarde, Que passa, e não faz alarde… Talvez...
José Régio – Testamento do poeta
Todo esse vosso esforço é vão, amigos: Não sou dos que se aceita… a não ser mortos. Demais, já desisti de quaisquer portos; Não peço a vossa esmola de mendigos....
José Régio – Cantar de amigo
À beira do rio fui dançar… Dançando Me estava entretendo, Muito a sós comigo, Quando na outra margem, como se escondendo Para que eu não visse que me estava olhando,...
José Régio – Poema do silêncio
Sim, foi por mim que gritei. Declamei, Atirei frases em volta. Cego de angústia e de revolta. Foi em meu nome que fiz, A carvão, a sangue, a giz, Sátiras...
José Régio – Soneto de amor
Não me peças palavras, nem baladas, Nem expressões, nem alma… Abra-me o seio, Deixa cair as pálpebras pesadas, E entre os seios me apertes sem receio. Na tua boca sob...
José Régio – Natal
Mais uma vez, cá vimos Festejar o teu novo nascimento, Nós, que, parece, nos desiludimos Do teu advento! Cada vez o teu Reino é menos deste mundo! Mas vimos, com...

