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Elis Maria

Elis Maria

Elis Maria – Bolhas de sabão

A aceitação é o meu
Primeiro passo
Ao fundo do seu poço
Mas… Pôxa, moço,
Não me julgue
É que não pude ignorar
O fato de o meu fardo saber
Que eu gosto de mim aos pedaços

(E só me doando em buracos
De círculos imperfeitos
Desenhando com-passos
Por onde circula o vento
Vazio como meus efeitos
É que completa eu pareço ser)

Ou

Vai ver
Já nasci assim
Com vazios
Sobrando
Filha do vento
Brincando
De me soprar enganos

(No 3,

1. . . ,2. . . .,3

VU-UU-UU-UU. . . . . . . Estouro todos de uma vez!)

 

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Elis Maria

Elis Maria – Contatos imediatos de qualquer grau

Um sinal
Que seja
De bem ou
Por sem querer, ser mal
Pode ser um desenho no quintal
Uma folha seca de carqueja

Uma mancha de sabão na janela
Que beatos vão dizer
Ser um feito divinal
(e seria aos olhos dela)
Pode ser numa ligação caída
Ou num telefonema cruzado
Pode ser um recado escrito
Ou de longe gritado
Ou no fingir a urgência
De pó de café emprestado
Qualquer coisa que me prove
Que é humano, mas não desse mundo
E se por acaso
O caso contrário disso for
Oras, faça-me o favor!

Tenha a decência
De acreditar na minha crença
Tome logo a providência
De me levar daqui
Depressa
E mesmo sem conversa
No seu disco voa-dor!

 

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Elis Maria

Elis Maria – O cara

E lá estava ele
Carta marcada
Não tinha eu antes
Notado nada.
Mas uma cara amiga minha
A ele me apontara

E lá estava ele
Minha cura
Minha cara
Sem cabelo curto e topete
Sem camisa pólo engomada
Com cara de tostão furado na carteira
E camiseta de banda, amassada.

E lá estava ele
Me voltei ao cara do bar
Pra reclamar daquela cerveja
TAVA MUITO CARA!

Com a cara emburrada de derrota
Paguei pelo absurdo
De tentar curtir um pouco fora de casa
Voltei o olhar à mesa, e…
CARACA!
O cara foi embora!
Minha amiga brincou: “que fora!”

Conformada com o fim do episódio
Fui saindo de cena
Me tocou pela mão o Cidão
Atendente no bar do Custódio
E sem eu muito prestar atenção
Me empurrou um guardanapo, deslizando pelo balcão
Enquanto eu ainda forçava uma cara de pena

Amassado
(Tal qual era sua camiseta, lembrei)
Alguém escreveu uns borrões de caneta
Que das quatro linhas
Só deu pra ler a última e a primeira:

Primeira: “Olá, sou o cabeludo de camiseta preta
da mesa da esquerda, se me permite….”
Última: …”se a resposta for “SIM” me ligue”
E novamente um borrão mais à direita
no final do guardanapo
Com o que parecia ser
uma sequência interessante de números
Vi o rastro molhado da cerveja cara no balcão
E gritei:
“Pow! Sacanagem, você me fez perder o cara, Cidão!

Elis Maria, 6universos