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Deborah Brennand

Deborah Brennand

Deborah Brennand – Anjo da noite

E sendo o ser todo ser
eu, vetusta ou jovem lusa,
dei o meu olhar de claridade
à vastidão única das brumas
e só no coração uma saudade
era de havidos campos,
campos quase não vistos,
ó enamorado de minha formosura.

Sombria ou ruiva foi a cabeleira
o pouso da coroa em garras.
Abutre no alvor da minha fronte
cravando unhas de diamantes
assim em disse que as mulheres
não deviam usar trajes escarlates.
Talvez dez dias e oito noites passassem
nas distantes florestas de Lorvão.

E o meu reino era cinzento em culpas,
o meu legado agouro e mal.
Ó enamorado da minha póstuma formosura,
por que de mim tão pouco sabes?

Deborah Brennand, Poesia reunida

Deborah Brennand

Deborah Brennand – A visita

Longos e longos anos esperei uma visita,
mas só os ramos agitaram a ventania.
Disseram-me – o longe é sem fim.
Todavia, voltei àquele bosque
e lá só estava uma lua de cinzas.

Redisse então tudo o que foi dito:
o nome de flores clandestinas
À mais funda das raízes eu disse
– ermos são de almas vivas
e toda volta é um descaminho.

Felizmente, só estava no bosque uma lua de cinzas.

Deborah Brennand, Poesia reunida