Um homem com uma dor é muito mais elegante caminha assim de lado como se chegando atrasado andasse mais adiante carrega o peso da dor como se portasse medalhas uma...
Paulo Leminski
a uma carta pluma só se responde com alguma resposta nenhuma algo assim como se a onda não acabasse em espuma assim algo como se amar fosse mais do que...
Paulo Leminski – Razão de ser
Escrevo. E pronto. Escrevo porque preciso preciso porque estou tonto. Ninguém tem nada com isso. Escrevo porque amanhece, E as estrelas lá no céu Lembram letras no papel, Quando o...
Paulo Leminski – Além da alma
Meu coração lá de longe faz sinal que quer voltar. Já no peito trago em bronze: NÃO TEM VAGA NEM LUGAR. Pra que me serve um negócio que não cessa...
Bom dia, poetas velhos. Me deixem na boca o gosto de versos mais fortes que não farei. Dia vai vir que os saiba tão bem que vos cite como quem...
Meu verso, temo, vem do berço. Não versejo porque eu quero, versejo quando converso e converso por conversar. Pra que sirvo senão pra isto, pra ser vinte e pra ser...
Paulo Leminski – Como pode?
Soa estranho, esta manhã, tudo o que sempre foi meu, como pode? Como pode que esse som lá fora, os sons da vida, a voz de todo dia, pareça ficção...
Em mil novecentos e oitenta e sempre, ah, que tempos aqueles, dançamos ao luar, ao som da valsa A Perfeição do Amor Através da Dor e da Renúncia, nome, confesso,...
desmontando o brinquedo eu descobri que o frevo tem muito a ver com certo jeito mestiço de ser um jeito misto de querer isto e aquilo sem nunca estar tranquilo...
Paulo Leminski – Segundo consta
O mundo acabando, podem ficar tranquilos. Acaba voltando tudo aquilo. Reconstruam tudo segundo a planta dos meus versos. Vento, eu disse como. Nuvem, eu disse quando. Sol, casa, rua, reinos,...
Paulo Leminski – Ler pelo não
Ler pelo não, quem dera! Em cada ausência, sentir o cheiro forte do corpo que se foi, a coisa que se espera. Ler pelo não, além da letra, ver, em...
Paulo Leminski – Invernáculo
Esta língua não é minha, qualquer um percebe. Quando o sentido caminha, a palavra permanece. Quem sabe mal digo mentiras, vai ver que só minto verdades. Assim me falo, eu,...
Paulo Leminski – Desencontrários
Mandei a palavra rimar, ela não me obedeceu. Falou em mar, em céu, em rosa, em grego, em silêncio, em prosa. Parecia fora de si, a sílaba silenciosa. Mandei a...
Paulo Leminski – Ai daqueles…
ai daqueles que se amaram sem nenhuma briga aqueles que deixaram que a mágoa nova virasse a chaga antiga ai daqueles que se amaram sem saber que amar é...
Escrevia no espaço. Hoje, grafo no tempo, na pele, na palma, na pétala, luz do momento. Soo na dúvida que separa o silêncio de quem grita do escândalo que cala,...



