Há o escritor que acredita que, bem, só ele é que leu e repete a toda hora: “O grifo é meu”. Não resiste à tentação de tornar um pouco seu...
Millôr Fernandes
Quando eu era bem menino Tinha fadas no jardim No porão um monstro albino E uma bruxa bem ruim. Cada lâmpada tinha um gênio Que virava ano em milênio E,...
Chego sempre à hora certa, contam comigo, não falho, pois adoro o meu emprego: o que detesto é o trabalho. Millôr Fernandes, Pif-Paf
Ele é rico Tem um dinheiro infinito Tem conforto e paparico Mora bonito Não tem pressa Nem é aflito Vive à beça Come do bom e melhor Faz tudo que...
Cantava a Cigarra Em dós sustenidos Quando ouviu os gemidos Da Formiga Que, bufando e suando, Ali, num atalho, Com gestos precisos Empurrava o trabalho; Folhas mortas, insetos vivos. Ao...
Quem alisa os meus cabelos? Quem me tira o paletó? Quem, à noite, antes do sono, acarinha meu corpo cansado? Quem cuida de minha roupa? Quem me vê sempre nos...
Enterrem meu corpo em qualquer lugar. Que não seja, porém, um cemitério. De preferência, mata; Na Gávea, na Tijuca, em Jacarepaguá. Na tumba, em letras fundas, Que o tempo não...
Eu sei, rapaz, confesso Que estava errado ontem E você, certo. Mas você não estava certo De que eu estava errado. Eu, desde o início, Admiti a hipótese De você...
Às folhas tantas Do livro matemático Um Quociente apaixonou-se Um dia Doidamente Por uma Incógnita. Olhou-a com seu olhar inumerável E viu-a, do Ápice à Base. Uma Figura Ímpar; Olhos...

