Estou, nesta noite cálida, deliciadamente estendido sobre a relva, de olhos postos no céu, e reparo, com alegria, que as dimensões do infinito não me perturbam. (O infinito! Essa incomensurável...
António Gedeão
António Gedeão – Máquina do mundo
O Universo é feito essencialmente de coisa nenhuma. Intervalos, distâncias, buracos, porosidade etérea. Espaço vazio, em suma. O resto, é a matéria. Daí, que este arrepio, este chamá lo e...
António Gedeão – Poemas das flores
Se com flores se fizeram revoluções que linda revolução daria este canteiro! Quando o clarim do Sol toca a matinas ei-las que emergem do noturno sono e as brandas, tenras...
António Gedeão – Lágrima de preta
Encontrei uma preta Que estava a chorar, Pedi-lhe uma lágrima Para a analisar. Recolhi a lágrima Com todo o cuidado Num tubo de ensaio Bem esterilizado. Olhei-a de um lado,...
António Gedeão – Poema do adeus
Exigem novas leis que os olhos não se alegrem quando as folhas das árvores lhes acenam; quando o lagarto ao Sol o erótico pescoço, erecto e circulante como um radar,...
Venho da terra assombrada, do ventre de minha mãe; não pretendo roubar nada nem fazer mal a ninguém. Só quero o que me é devido por me trazerem aqui, que...
António Gedeão – Pedra Filosofal
Eles não sabem que o sonho é uma constante da vida tão concreta e definida como outra coisa qualquer, como esta pedra cinzenta em que me sento e descanso, como...
Luísa sobe, sobe a calçada, sobe e não pode que vai cansada. Sobe, Luísa, Luísa, sobe, sobe que sobe sobe a calçada. Saiu de casa de madrugada; regressa a casa ...
Lancei ao mar um madeiro, espetei-lhe um pau e um lençol. Com palpite marinheiro medi a altura do Sol. Deu-me o vento de feição, levou-me ao cabo do mundo, pelote...
António Gedeão – Dia de natal
Hoje é dia de ser bom. É dia de passar a mão pelo rosto das crianças, de falar e de ouvir com mavioso tom, de abraçar toda a gente e...

