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Zack Magiezi

Zack Magiezi

Zack Magiezi – O seu primeiro encontro com o mar foi assim

Zack Magiezi

O seu primeiro encontro com o mar foi assim
Um dia quente
Uns olhos curiosos
(coisa que não se perdeu com o passar dos anos)
Areia branca e fofa
A cabeça baixa
Quando ela levantou os olhos
Lá estava a imensidão azul
Seus pais disseram que ela ficou pulando
e logo em seguida correu para a água
Sem nenhum medo
Sem nenhum receio
Queria abraçar aquela água toda
Como se o infinito coubesse no espaço
dos seus braços esticados
Para ela o mar é gente
Um amigo que adora brincar na praia
Brincaram juntos sempre
Cresceram juntos

Zack Magiezi, Notas sobre ela

Zack Magiezi

Zack Magiezi – Amou

Zack Magiezi

Amou
Sem saber direito o que era isso
Amou
Mais uma vez em silêncio amou
Estava diferente
Mais risonha
Meio boba
Inteira boba
De repente o ato de combinar as roupas
ganhou importância grandiosa
Parou de usar o mesmo moletom favorito e surrado
Sorria mais, sorria por tudo, sorria para
o jornal da manhã e para a garota do tempo
Acordava antes do sol
Com apenas um desejo que falava mais alto
que o despertador
Ir para o colégio
Para aprender mais sobre o amor
O amor que senta na fileira do canto
E está sempre distraído atrás de
grandes óculos que não olham para ela

Zack Magiezi, Notas sobre ela

Zack Magiezi

Zack Magiezi – Quintal

Zack Magiezi

Quintal
O primeiro lugar
Onde ela foi natureza
Vida que dá no pé
Planta do pé
Olhos fechados
O sol nas pálpebras
Queria ser planta
Queria ser roseira
E conseguiu delicadeza
E também os espinhos
Ela sorri
Um sorriso de pétalas
Perfumado com um passado bom
E hoje depois de tantas décadas
Nas manhãs ensolaradas
Ela ainda fecha os olhos
Para sentir o sol nas pálpebras
E voltar para o quintal

Zack Magiezi, Notas sobre ela

Zack Magiezi

Zack Magiezi – Um pequeno refúgio

Zack Magiezi

Um pequeno refúgio
Que ainda está guardado dentro do tempo
Quando ela fecha os olhos
Tudo ainda é tão igual
O quintal ainda é imenso
O cheiro da terra molhada
Galinhas correndo pela sobrevivência
As mãos fortes do vô
As veias imensas apareciam quando ele
embelezava o jardim
Como um homem pode ser tão bruto e tão doce?
As mãos hábeis da vó
Sempre ocupadas
As mãos da vó parecem os empresários
Que correm sem parar
Sempre preparando algo importante
Sempre tricotando amor
Ela abre os olhos
E a sala vazia da sua casa
Recebe uma visita da memória
O perfume de um bolo de cenoura
Preparado há muitas décadas passadas
E ela se sente protegida
E o medo fica para a vida adulta

 

Zack Magiezi, Notas sobre ela