Ah! Toda a alma num cárcere anda presa, Soluçando nas trevas, entre as grades Do calabouço olhando imensidades, Mares, estrelas, tardes, natureza. Tudo se veste de uma igual grandeza Quando...
Cruz e Souza
Cruz e Sousa – Alma solitária
Ó Alma doce e triste e palpitante! que cítaras soluçam solitárias pelas Regiões longínquas, visionárias do teu Sonho secreto e fascinante! Quantas zonas de luz purificante, quantos silêncios, quantas sombras...
Cruz e Souza – Após o noivado
Em flácido divã ela resvala Na alcova – bem feliz, alegremente, E o fresco penteador alvinitente, De nardo e benjoim o aroma exala. E o noivo todo amor, assim lhe...
Cruz e Sousa – Livre
Livre! Ser livre da matéria escrava, arrancar os grilhões que nos flagelam e livre penetrar nos Dons que selam a alma e lhe emprestam toda a etérea lava. Livre da...
Eu me recordo de já ter vivido, Mudo e só, por olímpicas Esferas, onde era tudo velhas primaveras E tudo um vago aroma indefinido. Fundas regiões do Pranto e do...
Cruz e Souza – Velho
Estás morto, estás velho, estás cansado! Como um suco de lágrimas pungidas Ei-las, as rugas, as indefinidas Noites do ser vencido e fatigado. Envolve-te o crepúsculo gelado Que vai soturno...
Cruz e Souza – Condenação fatal
Ó mundo, que és o exílio dos exílios, Um monturo de fezes putrefato, Onde seres vis circula nos concílios. Onde de almas em pálidos idílios O lânguido pefume mais ingrato...
Cruz e Souza – Natureza
Tudo por ti resplende e se constela, Tudo por ti, suavíssimo, flameja; És o pulmão da racional peleja, Sempre viril, consoladora e bela. Teu coração de pérolas se estrela, E...
Cruz e Souza – Madona da tristeza
Quando te escuto e te olho reverente E sinto a tua graça triste e bela De ave medrosa, tímida, singela, Fico a cismar enternecidamente. Tua voz, teu olhar, teu ar...
Cruz e Sousa – As estrelas
Lá, nas celestes regiões distantes, No fundo melancólico da Esfera, Nos caminhos da eterna Primavera Do amor, eis as estrelas palpitantes. Quantos mistérios andarão errantes, Quantas almas em busca da...
Cruz e Souza – Em sonhos…
Nos Santos óleos do luar, floria Teu corpo ideal, com o resplendor da Helade… E em toda a etérea, branda claridade Como que erravam fluidos de harmonia… As Águias imortais...
Cruz e Souza – Dormindo…
Pálida, bela, escultural, clorótica Sobre o divã suavíssimo deitada, Ela lembrava – a pálpebra cerrada – Uma ilusão esplendida de ótica. A peregrina carnação das formas, – o sensual e...
Cruz e Sousa – Quando eu partir
Quando eu partir, que eterna e que infinita Há de crescer-me a dor de tu ficares; Quanto pesar e mesmo que pesares, Que comoção dentro desta alma aflita. Por nossa...
Cruz e Souza – Supremo anseio
Esta profunda e intérmina esperança Na qual eu tenho o espírito seguro, A tão profunda imensidade avança Como é profunda a ideia do futuro. Abre-se em mim esse clarão, mais...
Cruz e Souza – A perfeição
A Perfeição é a celeste ciência Da cristalização de almos encantos, De abandonar os mórbidos quebrantos E viver de uma oculta florescência. Noss’alma fica da clarividência Dos astros e dos...

