Inutilmente, ao longo das ruas, Os Anjos fazem trottoir… Inutilmente… Ninguém quer levar para casa um pouco de céu: a lembrança do que se perdeu sempre incomoda… Nos apartamentos Os...
Mario Quintana
Mario Quintana – Magias
Conheço uma cidade azul. Conheço uma cidade cor de ferrugem. Na primeira, há helicópteros pairando… Na segunda, espiam de seus esconderijos os olhos das ratazanas… No entanto é a mesma...
Sereiazinha do rio Ibira… Feiosa, Até sardas tem. Cantar não sabe: Olha e me quer bem. Seus ombros têm frio. Embalo-a nos joelhos, Ensino-lhe catecismo E conto histórias que inventei...
Vou andando feliz pelas ruas sem nome… Que vento bom sopra do Mar Oceano! Meu amor eu nem sei como se chama, Nem sei se é muito longe o Mar...
Mario Quintana – Vida
Não sei o que querem de mim essas árvores essas velhas esquinas para ficarem tão minhas só de as olhar um momento. Ah! se exigirem documentos aí do Outro Lado,...
Minha vida não foi um romance… Nunca tive até hoje um segredo. Se me amas, não digas, que morro De surpresa… de encanto… de medo… Minha vida não foi um...
Mario Quintana – Canção de vidro
E nada vibrou… Não se ouviu nada… Nada… Mas o cristal nunca mais deu o mesmo som. Cala, amigo… Cuidado, amiga… Uma palavra só Pode tudo perder para sempre… E...
Mario Quintana – Canção de domingo
Que dança que não se dança? Que trança não se destrança? O grito que voou mais alto Foi um grito de criança. Que canto que não se canta? Que reza...
Mario Quintana – A luta
Quando eu era pequenino Atirava rimas ao poema Como ossos a um cãozinho… Eu cresci. Ele cresceu. Agora… Que é ele e quem sou eu, Que não mais nos conhecemos?...
Mario Quintana – Ah! os relógios
Amigos, não consultem os relógios quando um dia eu me for de vossas vidas em seus fúteis problemas tão perdidas que até parecem mais uns necrológios… Porque o tempo é...
O tempo é indivisível. Dize, Qual o sentido do calendário? Tombam as folhas e fica a árvore, Contra o vento incerto e vário. A vida é indivisível. Mesmo A que...
Mario Quintana – O poema do amigo
Estranhamente esverdeado e fosfóreo, Que de vezes já o encontrei, em escusos bares submarinos, O meu calado cúmplice! Teríamos assassinado juntos a mesma datilógrafa? Encerráramos um anjo do Senhor nalgum...
Não quero a negra desnuda. Não quero o baú do morto. Eu quero o mapa das nuvens E um barco bem vagaroso. Ai esquinas esquecidas… Ai lampiões de fins de...
A canção que não foi escrita Alguém sorriu como Nossa Senhora à alma triste do Poeta. Ele voltou para casa E quis louvar o bem que lhe fizeram. Adormeceu… E...
Mario Quintana – O límpido cristal
Que límpido o cristal de abril!… Um grito não vai como os da noite — para os extramundos… Todas as vozes, todas as palavras ditas — cigarras presas dentro do...

