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Bocage

Bocage

Bocage – O corvo e a raposa

É fama que estava o corvo
Sobre uma árvore pousado
E que no sôfrego bico
Tinha um queijo atravessado.

Pelo faro, àquele sítio
Veio a raposa matreira,
A qual, pouco mais ou menos,
Lhe falou desta maneira:

– Bons dias, meu lindo corvo;
És glória desta espessura;
És outra fénix, se acaso
Tens a voz como a figura.

A tais palavras, o corvo,
Com louca, estranha afouteza,
Por mostrar que é bom solista
Abre o bico e solta a presa.

Lança-lhe a mestra o gadanho
E diz: – Meu amigo, aprende
Como vive o lisonjeiro
À custa de quem o atende.

Esta lição vale um queijo;
Tem destas para teu uso.
Rosna então consigo o corvo
Envergonhado e confuso:

– Velhaca, deixou-me em branco;
Fui tolo em fiar-me dela;
Mas este logro me livra
De cair noutra esparrela.

 

Bocage, Obras poéticas

Bocage

Bocage – Fábula

Contam que certa raposa,
Andando muito esfaimada,
Viu roxos, maduros cachos
Pendentes de alta latada.

De bom grado os trincaria,
Mas sem lhes poder chegar,
Disse: “Estão verdes, não prestam,
Só os cães os podem tragar!”

Eis cai uma parra, quando
Prosseguia seu caminho,
E, crendo que era algum bago,
Volta depressa o focinho.

 

Bocage, Obras poéticas

Bocage

Bocage – A Rosa

Tu, flor de Vénus, 
Corada Rosa, 
Leda, fragrante, 
Pura, mimosa, 

Tu, que envergonhas 
As outras flores, 
Tens menos graça 
Que os meus amores. 

Tanto ao diurno 
Sol coruscante 
Cede a nocturna 
Lua inconstante, 

Quanto a Marília 
Té na pureza 
Tu, que és o mimo 
Da Natureza. 

O buliçoso, 
Cândido Amor 
Pôs-lhe nas faces 
Mais viva cor; 

Tu tens agudos 
Cruéis espinhos, 
Ela suaves 
Brandos carinhos; 

Tu não percebes 
Ternos desejos, 
Em vão Favónio 
Te dá mil beijos. 

Marília bela 
Sente, respira, 
Meus doces versos 
Ouve, e suspira. 

A mãe das flores, 
A Primavera, 
Fica vaidosa 
Quando te gera; 

Porém Marília 
No mago riso 
Traz as delícias 
Do Paraíso. 

Amor que diga 
Qual é mais bela, 
Qual é mais pura, 
Se tu, ou ela; 

Que diga Vénus… 
Ela aí vem… 
Ai! Enganei-me, 
Que é o meu bem. 

Bocage, A Rosa (Cançoneta Anacreôntica)

Bocage

Bocage – Nada se Pode Comparar Contigo

O ledo passarinho, que gorjeia 
D’alma exprimindo a cândida ternura; 
O rio transparente, que murmura, 
E por entre pedrinhas serpenteia; 

O Sol, que o céu diáfano passeia, 
A Lua, que lhe deve a formosura, 
O sorriso da Aurora, alegre e pura, 
A rosa, que entre os Zéfiros ondeia; 

A serena, amorosa Primavera, 
O doce autor das glórias que consigo, 
A Deusa das paixões e de Citera; 

Quanto digo, meu bem, quanto não digo, 
Tudo em tua presença degenera. 
Nada se pode comparar contigo. 

Bocage, Sonetos

Bocage

Bocage – Nascemos para amar

Nascemos para amar; a Humanidade
Vai, tarde ou cedo, aos laços da ternura.
Tu és doce atractivo, ó Formosura,
Que encanta, que seduz, que persuade.

Enleia-se por gosto a liberdade;
E depois que a paixão na alma se apura,
Alguns então lhe chamam desventura,
Chamam-lhe alguns então felicidade.

Qual se abisma nas lôbregas tristezas,
Qual em suaves júbilos discorre,
Com esperanças mil na ideia acesas.

Amor ou desfalece, ou pára, ou corre:
E, segundo as diversas naturezas,
Um porfia, este esquece, aquele morre.

Bocage, Sonetos