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Rupi Kaur

Rupi Kaur

Rupi Kaur – A mulher que vem depois de mim…

a mulher que vem depois de mim vai ser uma versão
pirata de quem eu sou. ela vai tentar escrever poemas
pra te fazer apagar aqueles que deixei decorados nos
seus lábios mas os versos dela nunca serão um soco
no estômago como os meus. então ela vai tentar
fazer amor com o seu corpo. mas ela nunca vai
lamber, tocar ou chupar como eu. ela vai ser uma
reserva triste da mulher que você deixou escapar. nada
que ela fizer vai te excitar e isso vai destruí-la. quando
estiver cansada de se contorcer por um homem que não
dá nada em troca ela vai me reconhecer nas suas
pálpebras que a encaram com dó e tudo vai fazer sentido.
como ela pode amar um homem que está ocupado amando
alguém em quem ele nunca mais vai colocar as mãos.

Rupi Kaur, Outros jeitos de usar a boca

Rupi Kaur

Rupi Kaur – será que você pensou que eu fosse uma cidade

será que você pensou que eu fosse uma cidade
grande o suficiente pra passar o feriado
eu sou a cidadezinha ao redor dela
aquela que você talvez não conheça
mas sempre atravessa
aqui não tem luz de neon
nem arranha-céu ou estátua
mas não vai faltar trovoada
porque eu deixo as pontes trêmulas
eu não sou carne de vaca sou geleia feita em casa
firme o bastante pra cortar a coisa mais
doce que sua boca vai tocar
eu não sou a sirene da polícia
eu sou o estalo da lareira
eu te queimaria e mesmo assim
você não tiraria os olhos de mim
porque eu ia ficar tão gata
que você ia corar
eu não sou um quarto de hotel eu sou a sala de casa
eu não sou o whisky que você quer
eu sou a água que é necessária
então não venha com expectativas
e tente me transformar numa viagem de férias

 

Rupi Kaur, Outros jeitos de usar a boca

Rupi Kaur

Rupi Kaur – Ele pergunta o que eu faço…

ele pergunta o que eu faço
digo que trabalho em uma empresa pequena
que produz embalagens para –
ele me interrompe no meio da frase
não não o que você faz para pagar as contas
o que te enlouquece
o que te deixa com insônia

eu digo eu escrevo
ele me pede para mostrar alguma coisa
com as pontas dos dedos
toco a parte interna de seu antebraço
e vou roçando até o pulso
os pelos se arrepiam
vejo ele fechar a boca
os músculos se comprimem
seus olhos se derramam nos meus
como se eu fosse o motivo
pelo qual eles piscam
eu desvio o olhar
quando ele se move em minha direção
eu recuo

é isso que você faz então
você exige atenção
minhas bochechas coram
dou um sorriso tímido
confesso que
não consigo evitar

 

Rupi Kaur, Outros jeitos de usar a boca