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Cora Coralina

Cora Coralina

Cora Coralina – Velho

cora coralina

Estás morto, estás velho, estás cansado!
Como um suco de lágrimas pungidas
Ei-las, as rugas, as indefinidas
Noites do ser vencido e fatigado.
volve-te o crepúsculo gelado
Que vai soturno amortalhando as vidas
Ante o repouso em músicas gemidas
No fundo coração dilacerado.
A cabeça pendida de fadiga,
Sentes a morte taciturna e amiga,
Que os teus nervosos círculos governa.
Estás velho estás morto! Ó dor, delírio,
Alma despedaçada de martírio
Ó desespero da desgraça eterna.

Cora Coralina, Melhores poemas de Cora Coralina

Cora Coralina

Cora Coralina – O Mandrião

cora coralina

Eu vestia um mandrião
recortado e costurado para mim
de uma saia velha da minha bisavó.
E como aquele mandrião
me fazia feliz!…

Eu tinha um mandrião…
Eu vestia um antigo mandrião
recortado e costurado para mim
de uma saia velha
da minha bisavó.

Eu brincava, rodava, virava roda,
e o antigo mandrião se enchia
de vento balão.

Aninha cantava, desentoada, desafinada,
boba que era.
Meu mandrião, vento balão,
roda pião, vintém na mão.
Os grandes exploravam.

Irônicos, sarcásticos.
“Faz caramujo, Aninha.”
Aninha, a boba,
rolava no chão,
fazia caramujão.
Riam e diziam:
“é boba mesmo.”

Cora Coralina, Vintém de cobre

Cora Coralina

Cora Coralina – Este relógio

cora coralina

I

Relógio novo, vertical
na parede.
Entrou à casa nova
pela porta amável dos presentes
em dia de casamento.

II

Relógio novo, casa nova.
Horas de sono, de acordar.
É o carrilhão dos beijos
de gente moça que juntou
as mãos um dia,
que ligou os destinos
ante um altar
para a travessia da vida.

III

Relógio novo,
discreto, silencioso.
Utilidade silenciosa
na agitação ruidosa
da vida.
Marca só, não bate
as horas felizes
que em ronda
vão chegando,
vão passando,
sempre renovadas.

IV

Relógio novo, logo mais
você marcará também,
a chegada de alguém
que se espera
com o enlevo dos pais
e ternura da avó.

V

O dedinho da criança
um dia (estará você mais velho)
apontará o mostrador
sorrindo.
Decifrará os números,
aprenderá consigo
a leitura das horas:
Horas do batizado,
dos primeiros passos.
Horas da escola –
ida e volta.

VI

Meninos virão
e indagarão de você
o tempo que passa:
Breve, alegre para uns,
longo, inexpressivo para outros.
O menino, o homem.
O ritmo da vida
que os ponteiros vão marcando.

VII

Relógio novo, vertical
na parede.
Relógio amigo
vai marcando horas…
Marca sempre
horas felizes
neste lar.
Marca sempre
para minha filha
as horas boas
que não marcou
para mim…

Cora Coralina, Meu livro de cordel

Cora Coralina

Cora Coralina – Anhanguera

cora coralina

“… e no terceiro dia da
criação o Criador
dividiu as águas, fez os
mares e os rios e separou
a terra e deu ela ervas
e plantas.”

… e quando das águas separadas
aflorou Goyaz, há milênios,
ficou ali a Serra Dourada
em teorias imprevistas
de lava endurecida,
e a equação de equilíbrio
da pedra oscilante.

Vieram as chuvas
e o calor acamou o limo
na camarinha das grotas.
O vento passou
trazendo na custódia das sementes
o pólen fecundante.
Nasceu a árvore.
E o Criador vendo que
era boa multiplicou a espécie
em sombra para as feras
em fronde para os ninhos
e em frutos para os homens.
Só depois de muitas eras
foi que chegaram os poetas.
Evém a Bandeira dos Polistas…
num tropel soturno
de muitos pés de muitas patas.
Deflorando a terra.
Rasgando as lavras
nos socavões.
Esfarelando cascalho,
ensacando ouro,
encadeiam Vila Boa
nos morros vestidos
de pau-d’arco.

Foi quando a perdida gente
no sertão impérvio.
Riscou o roteiro incerto
do velho Bandeirante
e Bartolomeu Bueno,
bruxo feiticeiro,
num passe de magia
histórica
tirou Goyaz de um prato
de aguardente
e ficou sendo o Anhanguera.

Cora Coralina, Meu livro de cordel

Cora Coralina

Cora Coralina – Não contem pra ninguém

cora coralina

Eu sou a velha
mais bonita de Goiás.
Namoro a lua.
Namoro as estrelas.
Me dou bem
com o rio Vermelho.
Tenho segredo
com os morros
que não é de adivinhá.

Sou do beco do Mingu,
sou do larguinho
do Rintintim.

Tenho um amor
que me espera
na rua da Machorra,
outro no Campo da Forca.
Gosto dessa rua
desde o tempo do bioco
e do batuque.
Já andei no Chupa Osso.
Saí lá no Zé Mole.
Procuro enterro de ouro.
Vou subir o Canta Galo
com dez roteiros na mão.
Se você quiser, moço,
vem comigo:
Vamos caçar esse ouro,
vamos fazer água – loucos
no Poço da Carioca,
sair debaixo das pontes,
dar que falar
às bocas de Goiás.

Já bebi água do rio
na concha da minha mão.
Fui velha quando era moça.
Tenho a idade de meus versos.
Acho que assim fica bem.
Sou velha namoradeira.
Lancei a rede na lua,
ando catando as estrelas.

Cora Coralina, Meu Livro de cordel

Cora Coralina

Cora Coralina – A flor

cora coralina

Na haste
hierática e vertical
pompeia.
Sobe para a luz e para o alto
a flor…

Ainda não.

Veio de longe.
Muda viajeira
dentro de um plástico esquecida.
Nem cuidados dei
à grande e rude matriz fecundada.
Apanhada num monte de entulho de lixeira.

“Cebola-brava” na botânica
sapiente de seu Vicente.
Oitenta e alguns avos de enxada e terra.
Sabedoria agra.
Afilhado do Padim Cícero.
Menosprezo pelas “f’lores”:
“De que val’isso?”
Displicente, exato, irredutível.

E eu, meu Deus,
extasiada,
vendo, sentindo e acompanhando,
fremente,
aquela inesperada gestação.

– Um bulbo, tubérculo, célula
de vida rejeitada, levada na hora certa
à maternidade da terra.

A Flor…

Ainda não.
Espátula. Botão
hígido, encerrado, hermético,
inviolado
no seu mistério.
Tenro vegetal, túmido de seiva.
Promessa, encantamento.
Folhas longas, espalmadas.
Espadins verdes
montando guarda.

Da Flor…

A expectativa, o medo.
Aquele caule frágil
ser quebrado no escuro da noite.
O vento, a chuva, o granizo.
A irreverência gosmenta
de um verme rastejante.
O imprevisto atentado
de alheia mão
consciente ou não.

Alerta. Insone.
Madrugadora.

Na manhã mal nascida,
toda em rendas cor-de-rosa,
túrgida de luz,
ao sol rascante do meio-dia.
No silêncio serenado da noite
eu, partejando o nascer da flor,
que ali vem na clausura
uterina de um botão.
Romboide.

Para a Flor…

Chamei a tantos…
Indiferentes, alheios,
ninguém sentiu comigo
o mistério daquela liturgia floral.
Encerrada na custódia do botão,
ela se enfeita para os esponsais do sol.
Ela se penteia, se veste nupcial
para o esplendor de sua efêmera
vida vegetal.
Na minha aflita vigília
pergunto:

– De que cor será a flor?

Chamo e conclamo de alheias distâncias
alheias sensibilidades.
Ninguém responde.
Ninguém sente comigo
aquele ministério oculto
Aquele sortilégio a se quebrar.

Afinal a Flor…

Do conúbio místico da terra e do sol
– a eclosão. Quatro lírios
semiabertos,
apontando os pontos cardeais
no ápice da haste.
Vara florida de castidade santa.
Cetro heráldico. Emblema litúrgico
de algum príncipe profeta bíblico
egresso das páginas sagradas
do “Livro dos Reis” ou do “Habacuc”.

E foi assim que eu vi a Flor.

Cora Coralina, Meu livro de cordel

Cora Coralina

Cora Coralina – Cantoria

cora coralina

I

Meti o peito em Goiás
e canto como ninguém.
Canto as pedras,
canto as águas,
as lavadeiras, também.
Cantei um velho quintal
com murada de pedra.
Cantei um portão alto
com escada caída.
Cantei a casinha velha
de velha pobrezinha.
Cantei colcha furada
estendida no lajedo;
muito sentida,
pedi remendos pra ela.
Cantei mulher da vida
conformando a vida dela.

II

Cantei ouro enterrado
querendo desenterrá.
Cantei cidade largada.
Cantei burro de cangalha
com lenha despejada.
Cantei vacas pastando
no largo tombado.
Agora vai se acabando
Esta minha versejada.
Boto escoras nos serados
por aqui vou ficando.

Cora Coralina, Meu Livro de Cordel

Cora Coralina

Cora Coralina – Ainda não

cora coralina

I

Ainda não…
É a espera.
Afirmação
do tempo que vai chegar
no tempo que está passando.

II

Ainda não…
É a promessa.
Certeza
do tempo de querer
no tempo que vai chegando.
A mulher é a terra –
terra de semear.

III

Ainda não…
O tempo disse sorrindo:
Por que esperar?
Plantar, colher
no amanhecer.
Não retardar o instante
maravilhoso da colheita.

IV

Veio o semeador,
semearam juntos
e colheram
o encantamento do fruto.
Lamentaram juntos:
Retardamos tanto… no tempo.

Cora Coralina, Meu livro de cordel

Cora Coralina

Cora Coralina – Meu Epitáfio

cora coralina

Morta… serei árvore
Serei tronco, serei fronde
E minhas raízes
Enlaçadas às pedras de meu berço
são as cordas que brotam de uma lira.

Enfeitei de folhas verdes
A pedra de meu túmulo
num simbolismo
de vida vegetal.

Não morre aquele
que deixou na terra
a melodia de seu cântico
na música de seus versos.

Cora Coralina, Meu livro de cordel

Cora Coralina

Cora Coralina – Meias-impressões de Aninha (Mãe)

cora coralina

Renovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.
Cria teus filhos,
não os entregues à creche.
Creche é fria, impessoal.
Nunca será um lar
para teu filho.
Ele, pequenino, precisa de ti.
Não o desligues da tua força maternal.
Que pretendes, mulher?
Independência, igualdade de condições…
Empregos fora do lar?
És superior àqueles
que procuras imitar.
Tens o dom divino
de ser mãe
Em ti está presente a humanidade.
Mulher, não te deixes castrar.
Serás um animal somente de prazer
e às vezes nem mais isso.
Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
Tumultuada, fingindo ser o que não és.
Roendo o teu osso negro da amargura.

Cora Coralina, Vintém de cobre

Cora Coralina

Cora Coralina – Cântico primeiro de Aninha

cora coralina

A estrada está deserta,
vou caminhando sozinha.
Ninguém me espera no caminho.
Ninguém acende a luz.
A velha candeia de azeite
de há muito se apagou.

A longa noite escura…
A caminhada…
Carreando pedras,
construindo com as mãos sangrando
minha vida.

Deserta a longa estrada…
Mortas as mãos viris que se estendiam às minhas.
Dentro da mata bruta
Leiteando imensos vegetais.
Cavalgando o negro corcel da febre,
Desmontado para sempre.

Passa a falange dos mortos…
Silêncio. Os namorados dormem.
Flutuam véus roxos no espaço.
Na esquina do tempo morto
À sombra dos velhos seresteiros…
A flauta, o violão, o bandolim.
Alertas as vigilantes,
barroando portas e janelas cerradas.
Cantava de amor a mocidade.

A estrada está deserta…
Alguma sombra escassa
buscando o pássaro perdido.
Morro acima. Serra abaixo.
Ninho vazio de pedras.
Eu avante na busca fatigante
de um mundo impreciso,
todo meu.
feito de sonho incorpóreo
e terra crua.

Bandeiras rotas, despedaçadas,
quebrado o mastro na luta desigual.
Sozinha, pisada. Nua. Espoliada, assexuada.
Sempre caminheira, removendo pedras.
Morro acima. Serra abaixo.
Longa procura de uma furna escura,
fugitiva a me esconder.
Escondida no meu mundo.
Longe… Longe…
Indefinido longe, nem sei onde.

O tardio encontro.
Passado o tempo de semear o vale,
de colher o fruto.
O desencontro,
da que veio cedo e do que veio tarde.

A candeia está apagada
e na noite gélida eu me vesti de cinzas.

Meus olhos estão cansados
Meus olhos estão cegos
Os caminhos estão fechados.

Cora Coralina, Vintém de cobre

Cora Coralina

Cora Coralina – Assim eu vejo a vida

cora coralina

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.

Cora Coralina, [O poema acima, inédito em livro], foi publicado pelo jornal “Folha de São Paulo” — caderno “Folha Ilustrada”, edição de 4/7/2001.

Cora Coralina

Cora Coralina – A fala de Aninha (é abril…)

cora coralina

É abril na minha cidade.
É abril no mundo inteiro.
Sobe da terra tranquila um estímulo de vida e paz.
Um docel muito azul e muito alto cobre os reinos de Goiás.
Um sol de ouro novo vai virando e fugindo a longínquas partes do mundo.
Desaguaram em março as últimas chuvadas do verão passado.

É festa alegre das colheitas.
Colhem­-se as lavouras.
Quebra­-se o milho maduro.
Bate­-se o feijão
já se cortou e se empilhou o arroz das roças.
As máquinas beneficiam o novo
e as panelas cozinham depressa o feijão novo e gostoso.
A abundância das lavouras são carreadas para depósitos e mercados.
Encostam­-se nas máquinas os caminhões em carga completa.
Homens fortes, morenos, de dorso nu e reluzente,
descarregam e empilham a sacaria pesada.
Fecham­-se quarteirões de ruas para a secagem de grãos
que secadores já não comportam.
Gira o capital, liquida­-se nos bancos, paga­-se no comércio.
As lojas faturam alto. É um abril de bênçãos e aleluias
e cantam nas madrugadas todos os galos do mundo.
Os pássaros, os bichos se fartam nas sobras do que vai perdido
pelas roças. Respigam aqueles que não plantam nem colhem
e têm direito às sobras dos que plantam e colhem.
Mulheres e crianças estão afoitas dentro das lavouras, brancas,
de algodão aberto, colhendo e ensacando os capulhos de neve.
Sobe dos currais serenados a evaporação acre do esterco e da urina
deixados pelos animais de custeio.

O leite transborda dos latões no rumo das cooperativas,
Borboletas amarelas voam sobre o rio.
E um sobrevivente bem­-te­-vi lança seu desafio
pousado nas palmas dos coqueiros altos.
É abril no mundo inteiro. Os paióis estão acalculados.
As tulhas derramando. Mulheres e crianças de sítio vestem roupa nova.
E a vida se renova na força contagiante do trabalho.
Um sentido de fartura abençoa os reinos da minha cidade.

Cora Coralina, Vintém de cobre

Cora Coralina

Carlos Drummond de Andrade – As identidades do poeta

De manhã pergunto:
Com quem se parece Fernando Pessoa?
Com seus múltiplos eus, expostos, oblíquos
em véu de garoa?
Com tripulantes-máscaras de esquiva canoa?
Com elfo imergente
em frígida lagoa?
Com a garra, a juba, o pelo amaciado
de velha leoa?

Quem radiografa, quem esclarece
Fernando Pessoa,
feixe de contrastes, união de chispas,
aluvião de lajes
figurando catedral ausente de cardeais,
com duendes oficiando absconso ritual
vedado a profanos?

Que sina, frustrado destino, foi a coroa
desse Pessoa,
morto redivivo, presentifuturo
no céu de Lisboa?

Que levava (leva) no bolso
Fernando Reis de Campos Caeiro Pessoa:
irônico bilhete de identidade,
identity card
válido por cinco anos ou pela eternidade?

Que leva na alma:
augúrios de sibila,

Portugal a entristecer,
a desastrosa máquina do universo?

Fernando Pessoa caminha sozinho
pelas ruas da Baixa,
pela rotina do escritório
mercantil hostil
ou vai, dialogante, em companhia
de tantos si-mesmos
que mal pressentimos
na seca solitude
de seu sobretudo?

Afinal, quem é quem, na maranha

Que levava (leva) no bolso
Fernando Reis de Campos Caeiro Pessoa:
irônico bilhete de identidade,
identity card
válido por cinco anos ou pela eternidade?

Que leva na alma:
augúrios de sibila,

Portugal a entristecer,
a desastrosa máquina do universo?

Fernando Pessoa caminha sozinho
pelas ruas da Baixa,
pela rotina do escritório
mercantil hostil
ou vai, dialogante, em companhia
de tantos si-mesmos
que mal pressentimos
na seca solitude
de seu sobretudo?

Afinal, quem é quem, na maranha
de fingimento que mal finge
e vai tecendo com fios de astúcia
personas mil na vaga estrutura
de um frágil Pessoa?

Quem apareceu, desapareceu na proa
de nave-canção
e confunde nosso pensar-sentir
com desconforto de ave poesca
e doçura de flauta de Pã?

À noite divido-me:
anseio saber,
prefiro ignorar
esse enigma chamado Fernando Pessoa.

Carlos Drummond de Andrade, Farewell

Cora Coralina

Cora Coralina – A Fala de Aninha (várias…)

cora coralina

A dureza da vida não são carências
nem pobreza.
Sofrem aqueles que desconhecem a luta
e menosprezam o lutador.

Tanto tempo perdido
sem semear e sem plantar.
No fim a tulha vazia.
Vazio o coração que não soube dar.

Ele era velho e era um mestre.
Eu era jovem e era discípula.
Ele mestreou e ela aprendeu.
E dessa escola ninguém ouviu falar.

Ele se foi sem saber que era um mestre.
Ela ficou, sem saber que foi discípula.
Só muito depois, compreendeu.
E já era tarde.

Minha mocidade, perdida no passado…
Tantos mestres à minha volta…
Tantos serões inaproveitados…
E eu? Sem saber de nada.

Ninguém me esclareceu:
Ouve e aprende.
É a vida que está ensinando.
Quando veio o entendimento,
os túmulos estavam calados.

Cora Coralina, Vintém do cobre