_ap_ufes{"success":true,"siteUrl":"www.tudoepoema.com.br","urls":{"Home":"https://www.tudoepoema.com.br","Category":"https://www.tudoepoema.com.br/category/adalcinda-camarao/","Archive":"https://www.tudoepoema.com.br/2022/05/","Post":"https://www.tudoepoema.com.br/flora-figueiredo-tratado-manso-de-loucura/","Page":"https://www.tudoepoema.com.br/coming-soon/","Attachment":"https://www.tudoepoema.com.br/darcy-franca-denofrio-alga-marinha/darcy-franca-denofrio-2/","Nav_menu_item":"https://www.tudoepoema.com.br/6162/","Custom_css":"https://www.tudoepoema.com.br/blacklite-gird/","Oembed_cache":"https://www.tudoepoema.com.br/9570d45b585c8951d60eac9a46f32e4f/","Wp_block":"https://www.tudoepoema.com.br/bloco-reutilizavel-sem-titulo-2/","Wpcf7_contact_form":"https://www.tudoepoema.com.br/?post_type=wpcf7_contact_form&p=69"}}_ap_ufee Arquivos Henriqueta Lisboa - Tudo é Poema
Navegando pela Categoria

Henriqueta Lisboa

Henriqueta Lisboa

Henriqueta Lisboa – Amargura

Henriqueta Lisboa

Eu chegarei depois de tudo,
mortas as horas derradeiras,
quando alvejar na treva o mudo
riso de escárnio das caveiras.

Eu chegarei a passo lento,
exausta da estranha jornada,
neste invicto pressentimento
de que tudo equivale a nada.

Um dia, um dia, chegam todos,
de olhos profundos e expectantes.
E sob a chuva dos apodos
há mais infelizes do que antes.

As luzes todas se apagaram,
voam negras aves em bando.
Tenho pena dos que chegaram
e a estas horas estão chorando…

Eu chegarei por certo um dia…
assim, tão desesperançada,
que mais acertado seria
ficar em meio à caminhada.

Henriqueta Lisboa, Obras completas: I – poesia geral 1929 -1983

Henriqueta Lisboa

Henriqueta Lisboa – Minha história romântica

Henriqueta Lisboa

No jardim do meu sonho, outr’ora, quando entrava
na vida, ao resplendor de um sol de cereja,
tive a promessa de uma flor que despontava,
na ilusão de quem vai possuir o que deseja.

E, ardente, do calor da minha alma que é lava
fulgida, à luz do olhar que nunca mais se veja,
tendo por humildade o pranto que eu chorava,
a flor se abriu, sorrindo, à sombra de uma igreja.

Uma tarde, porém, sinto que me envenena…
E na volúpia de augmentar a própria pena,
espedaço-a nas mãos! Ó Dor, que me confortas!

Hoje, a sós no jardim, às horas lardas, quedo,
vendo entre um gozo estranho e uma impressão de medo
boiarem na piscina umas pétalas mortas.

Henriqueta Lisboa, Fogo fátuo