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Oswald de Andrade

Oswald de Andrade

Oswald de Andrade – Versos baianos

Tua orla Bahia
No benefício destas águas profundas
E o mato encrespado do Brasil

Uma jangada leva os teus homens morenos
De chapéu de palha
Pelos campos de batalha
Da Renascença

Este mesmo mar azul
Feito para as descidas
Dos hidroplanos de meu século
Frequentado rendez-vous
De Holandeses de Condes e de Padres
Que Amaralina atualiza
Poste das saudades transatlânticas
Riscando o ocre fotográfico
Entre Itapoã e o farol tropical

A bandeira nacional agita-se sobre o Brasil
A cidade alteia cúpulas
Torres coqueiros
Árvores transbordando em mangas-rosas
Até os navios ancorados

Forte de São Marcelo
Panela de pedra da história colonial
Cozinhando palmas

E as tuas ruas entreposto do Mundo
E os teus sertanejos asfaltados
E o teu ano de igrejas diferentes
Com um grande dia santo
Catedral da Bahia
Genuflexório dos primeiros potentados
Confessionário dos inquisidores
Catedral
És o fim do roteiro de Robério Dias
Romance de Alencar
Encadernado em ouro
Por dentro
Mais grandiosa que São Pedro
Catedral do Novo Mundo

Passa uma iole
Com remadores brancos
No ocaso indigesto
De Itaparica

Oswaldo de Andrade, Poesias reunidas

Oswald de Andrade

Oswald de Andrade – Canto do regresso à pátria

Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá

Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo

 

Oswald de Andrade, Poesias reunidas