Augusto dos Anjos

Augusto dos Anjos – Solilóquio de um visionário

Para desvirginar o labirinto Do velho e metafísico Mistério, Comi meus olhos crus no cemitério, Numa antropofagia de faminto! A digestão desse manjar funéreo Tornado sangue transformou-me o instinto De humanas impressões visuais que eu sinto, Nas divinas visões do íncole etéreo! Vestido de hidrogênio incandescente, Vaguei um século, improficuamente, Pelas monotonias siderais… Subi talvez …

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Augusto dos Anjos

Augusto dos Anjos – Monólogo de uma Sombra

“Sou uma Sombra! Venho de outras eras,  Do cosmopolitismo das moneras…  Pólipo de recônditas reentrâncias,  Larva de caos telúrico, procedo  Da escuridão do cósmico segredo,  Da substância de todas as substâncias!  A simbiose das coisas me equilibra.  Em minha ignota mônada, ampla, vibra  A alma dos movimentos rotatórios…  E é de mim que decorrem, simultâneas,  …

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Augusto dos Anjos

Augusto dos Anjos – Versos a um Cão

Que força pôde adstrita e embriões informes, Tua garganta estúpida arrancar Do segredo da célula ovular Para latir nas solidões enormes? Esta obnóxia inconsciência, em que tu dormes, Suficientíssima é, para provar A incógnita alma, avoenga e elementar Dos teus antepassados vemiformes. Cão! — Alma do inferior rapsodo errante! Resigna-a, ampara-a, arrima-a, afaga-a, acode-a A …

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