Olavo Bilac

Olavo Bilac – IV (via láctea)

Como a floresta secular, sombria Virgem do passo humano e do machado, Onde apenas, horrendo, ecoa o brado Do tigre, e cuja agreste ramaria Não atravessa nunca a luz do dia, Assim também, da luz do amor privado, Tinhas o coração ermo o fechado, Como a floresta secular, sombria… Hoje, entre os ramos, a canção …

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Olavo Bilac

Olavo Bilac – II (via láctea)

Tudo ouvirás, pois que, bondosa e pura Me ouves agora com o melhor ouvido: Toda a ansiedade, todo o mal sofrido Em silêncio, na antiga desventura Hoje, quero, em teus braços acolhido, Rever a estrada pavorosa e escura Onde, ladeando o abismo da loucura, Andei de pesadelos perseguido. Olha-a: torce-se toda na infinita Volta dos …

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Olavo Bilac

Olavo Bilac – I (Via láctea)

Talvez sonhasse, quando a vi. Mas via Que, aos raios do luar iluminada, Entre as estrelas trêmulas subia Uma infinita e cintilante escada. Eu olhava-a de baixo, olhava-a… Em cada Degrau, que o ouro mais límpido vestia, Mudo e sereno, um anjo a harpa doirada, Ressoante de súplicas, feria… Tu, mãe sagrada! vós também, formosas …

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Olavo Bilac

Olavo Bilac – XXX

Ao coração que sofre, separado Do teu, no exílio em que a chorar me vejo, Não basta o afeto simples e sagrado Com que das desventuras me protejo. Não me basta saber que sou amado, Nem só desejo o teu amor: desejo Ter nos braços teu corpo delicado, Ter na boca a doçura de teu …

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Olavo Bilac

Olavo Bilac – Maldição

Se por vinte anos, nesta furna escura,  Deixei dormir a minha maldição,  – Hoje, velha e cansada da amargura,  Minh’alma se abrirá como um vulcão.  E, em torrentes de cólera e loucura,  Sobre a tua cabeça ferverão  Vinte anos de silêncio e de tortura,  Vinte anos de agonia e solidão…  Maldita sejas pelo Ideal perdido!  …

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Olavo Bilac

Olavo Bilac – XXXIV

Quando adivinha que vou vê-la, e à escada Ouve-me a voz e o meu andar conhece, Fica pálida, assusta-se, estremece, E não sei por que foge envergonhada. Volta depois. À porta, alvoroçada, Sorrindo, em fogo as faces, aparece: E talvez entendendo a muda prece De meus olhos, adianta-se apressada. Corre, delira, multiplica os passos; E …

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Olavo Bilac

Olavo Bilac – O Sol

Salve, Sol glorioso! Ao teu clarão fecundo, A natureza canta e se extasia o mundo. Que tristeza, que dó, quando desapareces! Vens, e a terra estragada e feia reverdeces; Abres com o teu calor as sebes perfumadas; Dás flores ao verdor das moitas orvalhadas; Os ninhos aquecendo, as gargantas das aves Dás gorjeios de amor, …

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