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J.G. de Araújo Jorge

J.G. de Araújo Jorge

J. G. de Araújo Jorge – A companhia

Do amor não quero mais a aventura,
quero a companhia.

Já não procuro ilusões e surpresas
se todos os caminhos foram percorridos,
se oblíquo sol da tarde alonga a minha sombras
presa ainda a meus pés, a fugir, para onde?

Quero a compreensão, a tranquila ternura,
a presença melhor depois que amada,
a que sabe ser luz clareando a estrada,
ser aragem na fronte ardente a inquieta;

– alta maré para encobrir escolhos,
ser água para a sede que atormenta,
sombra, quando a luz doer nos olhos.

– A que inteira se dá sem pedir nada
só pela humilde alegria de se dar!

A que é pousada para o amor que vinha
já cansado de tudo e que não tinha
onde ficar.

A que tem mãos felinas, mãos que arranham
infladas de amor,
sem a gente sentir,
mãos que enlaçam, depois, cantam ternuras,
e que emberçam as nossas amarguras
e nos fazem dormir…

A que é mulher, – mar alto, porto e abrigo –
a que fica a nossa espera,
à que se pode voltar a qualquer hora…
A que sabe perdoar nossos pecados
nossos marinheiros desejos desgarrados
e não nos mandam embora…

Do amor não quero mais a aventura
quero a companhia:
a que depois do beijo
me dará a mão,
a que será minha – à noite se entregara
sem pejo –
e impoluída e pura,
continuara comigo, com a mesma ternura
no coração…

Quero a doce, a permanente companhia .

A que depois da noite
é o meu dia,
e, com o braço em meu braço
há de acertar seu passo
na mesma direção…

 

J. G. de Araújo Jorge, Os mais belos poemas que o Amor inspirou, Vol IV

J.G. de Araújo Jorge

J.G. de Araújo Jorge – A dor maior

Não quis julgar-te fútil nem banal
e chamei-te de criança tão-somente,
– reconheço, no entanto, infelizmente,
que, porque te quis bem, julguei-te mal.

Pensei até, (e o fiz ingenuamente…)
ter encontrado a companheira ideal…
Quis julgar-te das outras diferente,
e és como as outras todas afinal…

Hoje, uma dor estranha me consome
e um sentimento a que não sei dar nome
faz-me sofrer, se lembro o amor perdido…

A dor maior… A maior dor, no entanto,
vem de pensar de ter-te amado tanto
sem que ao menos tivesses merecido!…

 

J.G. de Araújo Jorge, Os mais belos poemas que o amor inspirou vol. 1

J.G. de Araújo Jorge

J.G. de Araújo Jorge – Noiva

Ei-la toda de branco. Aos pés, o imenso véu
como em flocos de espuma, espalhado no chão…
No ar, dentro do olhar, cabe inteirinho um céu,
e leva um céu maior dentro do coração…

Nos lábios… Ah! nos lábios o sabor do mel,
e uma carícia em flor se entreabre em cada mão,
– e que tremor no braço, ao deixar no papel
o nome dela, o dele… os dois desde então…

Quem lhe falou da vida ? A vida é um sonho, a vida
é esse caminho azul, esse estranho embaraço
de sentir-se ao seu lado adorada e querida…

Aos seus pés, como nuvem branca, o imenso véu…
Quem dirá, que ao seguir apoiada ao seu braço
não pensa que caminha em direção ao céu?…

 

J.G. de Araújo Jorge, Os mais belos poemas que o Amor inspirou vol. I

J.G. de Araújo Jorge

J. G. de Araújo Jorge – Advinha-se

Quando tu passas, sob o teu vestido
na ousadia das formas
adivinha-se
– o desejo incontido,
– essa vontade,
da carne que se sente prisioneira
e que arrogantemente se rebela
em ânsias de liberdade….

Adivinha-se o desejo
da carne que não tarda a ser mulher…
– da semente que quer romper o chão…
– da flor que abre a corola ao sol
a esperando louro pólen da fecundação!…

 

J. G. de Araújo Jorge, Os mais belos poemas que o Amor inspirou Vol. 1

J.G. de Araújo Jorge

J. G. de Araújo Jorge – Meu diário

Mais que meu companheiro: confidente
dos momentos felizes e infelizes;
meu jardim de palavras, recônditas raízes.

O que penso tu pensas, o que dizes
é o que te diz minha ama, é o que ela sente,
por isso, em ti percebo as cicatrizes
que vão marcando o coração da gente

Em ti me ajoelho: és meu confessionário;
aqui desnudo a minha vida, e sinto
que és o espelho em que posso me rever;

arca de tantos sonhos, meu diário
a ti me entrego sem pudor, não minto,
se és pedaço do meu próprio ser!

J. G. de Araújo Jorge, Os mais belos poemas que o Amor inspirou

J.G. de Araújo Jorge

J.G de Araujo Jorge – Decolagem

“O ato da criação poética
é uma decolagem.” Proust

Decolo
de mim mesmo:

Mas sobem comigo as raízes da angústia
de um mundo cada vez menor à minha vista,
ao qual continuo ligado, placentariamente,
como um bebê ao útero materno.

Tento nascer, libertar-me, em vão
por mais que suba estou preso ao chão
à terra, por invisíveis nós,
só não compreendo por que à distância
os homens vão ficando insignificantes,
e, com certeza, não compreenderão a mensagem
quando o coração voltar ao angar de meu peito
e recolher-se, a sós.

Pressinto que serei um estrangeiro louco
à procura de compatriotas
num mundo sem fronteiras.

Decolo
Sou um astronauta na cápsula da minha imaginação
ao descobrir, subitamente, novas dimensões
para todos os desejos e preocupações
terrenas,
e o mundo
em que entre sonhos e penas me arrasto, em que agito,
e aquela lua grande, grande
mas insignificante como o grão de pó, perdido na poeira
do Infinito.

J.G de Araujo Jorge, Tempo Será

J.G. de Araújo Jorge

J.G. de Araújo Jorge – Canto resignado

Sou um poeta
dionisíaco,
visionário,
resignado em seu destino
sedentário.

Sonho, como os pássaros
que se vão a cada alvorada
e adormecem, à música da aragem,
com seus violinos
na folhagem.

Envelheço
diante dos mesmos horizontes,
braços estendidos a abrigar
o cansaço dos viajantes
invejando-lhes o destino
sem coragem de ver
seus passaportes.

Um poeta
cumprindo sua missão: desabrochar
versos (como flores)
e encher de sons o espaço
como as ramagens
ao arco do vento.

J.G. de Araújo Jorge, Tempo Será