O vento é um cavalo: ouve como ele corre pelo mar, pelo céu. Quer levar-me: escuta como atravessa o mundo para me levar até longe. Esconde-me nos teus braços só...
Pablo Neruda
Pablo Neruda – Outra coisa
Sucedem-se tão poucas coisas que devo sempre recontá-las. Ninguém me dá asfodelos e ninguém me faz suspirar. Porque cheguei à encruzilhada de um arrevesado destino quando se apagam os relógios...
No fundo do mar profundo, na noite de longas listas, como um cavalo correndo atravessa o teu calado calado nome. Aloja-me às tuas costas, ai, abriga-me, aparece-me no teu espelho,...
Pablo Neruda – Ausência
Ainda há pouco te deixei, e vais comigo, cristalina ou trémula, ou inquieta, ferida por mim mesmo ou cheia de amor, como quando os teus olhos se fecham sobre o...
Pablo Neruda – A grande alegria
A sombra que indaguei já não me pertence. Tenho a alegria duradoura do mastro, a herança dos bosques, o vento do caminho e um dia decidido sob a luz terrestre....
Pablo Neruda – A rainha
Nomeei-te rainha. Há maiores do que tu, maiores. Há mais puras do que tu, mais puras. Há mais belas do que tu, há mais belas. Mas tu és a rainha....
Pablo Neruda – Pontes
PONTES: arcos de aço azul de onde vêm a dar sua despedida os caminhantes — por cima os trens, embaixo as águas —, enfermos de seguir tão grande viagem que...
Esta noite posso escrever os versos mais tristes Por exemplo, “A noite está estrelada E, lá longe, tremulam os astros azuis!” O vento da noite rodopia no céu e canta....
Pablo Neruda – Perguntas
Onde foi que a lua cheia deixou o seu saco noturno de farinha? Se acabar o amarelo, como vamos fazer pão? Me diga, a rosa está sem roupa ou este...
Pablo Neruda – Pequena América
Quando vejo a forma da América no mapa, vejo você, amor: o cobre bem no alto da sua cabeça, seus peitos, trigo e neve, sua cintura fina, rios velozes que...
Sua casa ecoa como um trem ao meio-dia, as vespas zumbem, as panelas cantam, a cachoeira conta dos feitos do orvalho, e seu riso exibe a música das palmeiras. A...
Pablo Neruda – Sua risada
Me tire o pão, se quiser, me tire o ar, mas não me tire a sua risada. Não me tire a rosa, a lança que você solta, a água que...
Pablo Neruda – Os sonhos
Irmã da água empenhada e de suas adversárias as pedras do rio, a argila evidente, a tosca madeira; quando levantavas sonhando a fronte na noite de Capri caíam espigas de...
Pablo Neruda – Os teus pés
Quando não posso olhar-te o rosto olho-te os pés. Os teus pés de osso arqueado, os teus pés pequenos e duros. Sei que te amparam, e que o teu doce...
Pablo Neruda – Em ti a terra
Pequena rosa, rosa pequena, às vezes, mínima e nua, pareces caber numa única das minhas mãos, para assim te segurar e levar à boca, mas logo meus pés tocam teus...

