Caminhando nas areias decidi deixar-te. Pisava um barro obscuro que estremecia, e afundando-me e voltando a sair, decidi que saísses de mim, que me eras pesada como pedra cortante, e...
Pablo Neruda
Pablo Neruda – Nas ruas de Praga
Recordas as ruas de Praga que duras sonhavam como se tambores de pedra sonhassem na solidão daquele que através dos mares buscou tua lembrança: tua imagem em cima da ponte...
Pablo Neruda – A ilha
Amor, amor, oh separada minha por tantas vezes mar como neve e distância, mínima e misteriosa, rodeada de eternidade, agradeço não só teu olhar de donzela, tua brancura oculta, rosa...
Pablo Neruda – Ressurreições
Amiga, é teu beijo quem canta como um sino na água da catedral submergida por cujas janelas entravam os peixes sem olhos, as algas viciosas, embaixo no lodo do lago...
Pablo Neruda – Matilde
MATILDE, nome de planta ou pedra ou vinho, do que nasce da terra e dura, palavra em cujo crescimento amanhece, em cujo estio rebenta a luz dos limões. Nesse nome...
Pablo Neruda – Canção de amor
Te amo, te amo, é minha canção e aqui começa o desatino. Te amo, te amo meu pulmão, te amo, te amo minha videira, e se o amor é como...
Não há muito que contar, para amanhã quando já desça ao Bom-Dia é necessário para mim este pão dos contos, dos cantos. Antes da alba, depois da cortina também, aberta...
AMOR, quantos caminhos até chegar a um beijo, que solidão errante até tua companhia! Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva. Em Taltal não amanhece ainda a primavera. Mas...
Pablo Neruda – O amor
Te amei sem por quê, sem de onde, te amei sem olhar, sem medida, e eu não sabia que ouvia a voz da férrea distância, o eco chamando à greda...
Pablo Neruda – Tendes que ouvir-me
Eu fui cantando errante, entre as uvas da Europa e sob o vento, sob o vento na Ásia. O melhor das vidas e a vida, a doçura terrestre, a paz...
Pablo Neruda – Os dias
Quem separa o ontem da noite e do hoje que emprenhava sua taça? E que lâmina de água incessante ou de bronze roído ou de gelo impediu que acudisse meu...
Pablo Neruda – Te amo
Amante, te amo e me amas e te amo, são curtos os dias, os meses, a chuva, os trens; são altas as casas, as árvores, e somos mais altos; se...
Pablo Neruda – A cidade
A SOMBRA deste monte protetor, propício, como manta indiana aérea e rural me cobre: bebo azul do céu por meus olhos sem vício como um terneiro mama o leite em...
Pablo Neruda – Final
FORAM CRIADAS por mim estas palavras com o meu sangue e com as dores minhas foram criadas! Tudo eu compreendo, amigos, eu compreendo tudo. Misturaram-se vozes alheias às minhas, tudo...
Pablo Neruda – Dá-me a festa mágica
DEUS – e de onde é que tiras para acender o céu este maravilhoso entardecer de cobre? Por ele soube encontrar de novo a alegria, e a má visão eu...



