Como a floresta secular, sombria Virgem do passo humano e do machado, Onde apenas, horrendo, ecoa o brado Do tigre, e cuja agreste ramaria Não atravessa nunca a luz do...
Olavo Bilac
Olavo Bilac – III (via láctea)
Tantos esparsos vi profusamente Pelo caminho que, a chorar, trilhava! Tantos havia, tantos! E eu passava Por todos eles frio e indiferente… Enfim! enfim! pude com a mão tremente Achar...
Olavo Bilac – II (via láctea)
Tudo ouvirás, pois que, bondosa e pura Me ouves agora com o melhor ouvido: Toda a ansiedade, todo o mal sofrido Em silêncio, na antiga desventura Hoje, quero, em teus...
Olavo Bilac – I (Via láctea)
Talvez sonhasse, quando a vi. Mas via Que, aos raios do luar iluminada, Entre as estrelas trêmulas subia Uma infinita e cintilante escada. Eu olhava-a de baixo, olhava-a… Em cada...
Olavo Bilac – XXX
Ao coração que sofre, separado Do teu, no exílio em que a chorar me vejo, Não basta o afeto simples e sagrado Com que das desventuras me protejo. Não me...
Olavo Bilac – Maldição
Se por vinte anos, nesta furna escura, Deixei dormir a minha maldição, – Hoje, velha e cansada da amargura, Minh’alma se abrirá como um vulcão. E, em torrentes de cólera...
Olavo Bilac – XXXIV
Quando adivinha que vou vê-la, e à escada Ouve-me a voz e o meu andar conhece, Fica pálida, assusta-se, estremece, E não sei por que foge envergonhada. Volta depois. À...
Olavo Bilac – Velhas Árvores
Olha estas velhas árvores, mais belas Do que as árvores novas, mais amigas: Tanto mais belas quanto mais antigas, Vencedoras da idade e das procelas… O homem, a fera, e...
Olavo Bilac – O Sol
Salve, Sol glorioso! Ao teu clarão fecundo, A natureza canta e se extasia o mundo. Que tristeza, que dó, quando desapareces! Vens, e a terra estragada e feia reverdeces; Abres...
Olavo Bilac – O Pássaro Cativo
Armas, num galho de árvore, o alçapão; E, em breve, uma avezinha descuidada, Batendo as asas cai na escravidão. Dás-lhe então, por esplêndida morada, A gaiola dourada; Dás-lhe alpiste, e...
Olavo Bilac – A Avó
A avó, que tem oitenta anos, Está tão fraca e velhinha!… Teve tantos desenganos! Ficou branquinha, branquinha, Com os desgostos humanos. Hoje, na sua cadeira, Repousa, pálida e fria, Depois...
Olavo Bilac – Um beijo
Foste o beijo melhor da minha vida, ou talvez o pior…Glória e tormento, contigo à luz subi do firmamento, contigo fui pela infernal descida! Morreste, e o meu desejo não...
Olavo Bilac – Língua Portuguesa
Última flor do Lácio, inculta e bela, És, a um tempo, esplendor e sepultura: Ouro nativo, que na ganga impura A bruta mina entre os cascalhos vela Amo-se assim, desconhecida...

