Ontens e hojes, amores e ódio, adianta consultar o relógio? Nada poderia ter sido feito, a não ser no tempo em que foi lógico. Ninguém nunca chegou atrasado. Bênçãos e...
Paulo Leminski
Paulo Leminski – Ais ou menos
Senhor, peço poderes sobre o sono, esse sol em que me ponho a sofrer meus ais ou menos, sombra, quem sabe, dentro de um sonho. Quero forças para o salto...
Paulo Leminski – A lei do quão
Deve ocorrer em breve uma brisa que leve um jeito de chuva à última branca de neve. Até lá, observe-se a mais estrita disciplina. A sombra máxima pode vir da...
Pesa dentro de mim o idioma que não fiz, aquela língua sem fim feita de ais e de aquis. Era uma língua bonita, música, mais que palavra, alguma coisa de...
isso não estava aqui ontem ontem era um dia pobre, metade, mendigando ouro à mísera eternidade hoje é um dia rico um mundo cheio de luz e lágrima força flor...
O papel é curto. Viver é comprido. Oculto ou ambíguo, Tudo o que digo tem ultrassentido Se rio de mim, me levem a sério. Ironia estéril? Vai nesse ínterim, meu...
Amar você é coisa de minutos A morte é menos que teu beijo Tão bom ser teu que sou Eu a teus pés derramado Pouco resta do que fui De...
Paulo Leminski – A lua no cinema
A lua foi ao cinema, passava um filme engraçado, a história de uma estrela que não tinha namorado. Não tinha porque era apenas uma estrela bem pequena, dessas que, quando...
Paulo Leminski – Minifesto
ave a raiva desta noite a baita lasca fúria abrupta louca besta vaca solta ruiva luz que contra o dia tanto e tarde madrugastes morra a calma desta tarde morra...
Paulo Leminski – Sujeito indireto
Quem dera eu achasse um jeito de fazer tudo perfeito, feito a coisa fosse o projeto e tudo já nascesse satisfeito. Quem dera eu visse o outro lado, o lado...
Paulo Leminsk – Adminimistério
Quando o mistério chegar, já vai me encontrar dormindo, metade dando pro sábado, outra metade, domingo. Não haja som nem silêncio, quando o mistério aumentar. Silêncio é coisa sem senso,...
Parece que foi ontem. Tudo parecia alguma coisa. O dia parecia noite. E o vinho parecia rosas. Até parece mentira, tudo parecia alguma coisa. O tempo parecia pouco, e a...
Meu coração lá de longe faz sinal que quer voltar. Já no peito trago em bronze: NÃO TEM VAGA NEM LUGAR. Pra que me serve um negócio que não cessa...
Esta página, por exemplo, não nasceu para ser lida. Nasceu para ser pálida, um mero plágio da Ilíada, alguma coisa que cala, folha que volta pro galho, muito depois de...
Paulo Leminski – Bem no fundo
No fundo, no fundo, bem lá no fundo, a gente gostaria de ver nossos problemas resolvidos por decreto a partir desta data, aquela mágoa sem remédio é considerada nula e...



