Sylvia Plath

Sylvia Plath – Um segredo

Um segredo! Um segredo!
Que superior.
Você é azul e grande, um guarda de trânsito,
Erguendo a palma da mão –

A diferença entre nós?
Eu tenho um olho, você tem dois.
O segredo estampado em sua cara,
Desbotada, ondulante marca-d’água.

Vai aparecer no detector negro?
Virá
Vacilante, indelével, verdadeiro
Através da girafa africana em suas folhagens edênicas,

O hipopótamo marroquino?
Olham de um tufo duro e quadrado.
São tipo exportação,
Um é tolo, o outro também.

Um segredo! Um dedo extra
De amarelo conhaque
Pousando e arrulhando “Tu, tu”
Atrás de olhos que nada mais fazem que refletir macacos.

Uma faca que pode ser usada
Para aparar unhas,
Levantar a sujeira.
“Não vai doer nada.”

Bebê ilegítimo –
Aquela cabeça imensa e azul!
Como respira na gaveta da cômoda.
“É lingerie, querida?”

Sylvia Plath, Ariel

Você gostou deste poema?

Você Pode Gostar Também

Sem comentários

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.