Patativa do Assaré

Patativa do Assaré – Morrer sem morrer deveras

Do meu fúnebre caixão,
Sem soluços nem gemidos,
Eu subi para a Mansão
Da Pátria dos Escolhidos,
Alegre me receberam
E uma festa promoveram,
Eu fiquei muito feliz,
Vivo a recordar ainda,
Foi a viagem mais linda
Que na minha vida eu fiz.

Disseram vendo o troféu
Que a natureza me deu:
Vamos ter festa no céu,
O Patativa morreu!
São Pedro Muito Sapeca
Foi trazer sua rabeca
E no arco passando breu,
Cantou com voz compassiva:
Viva, viva o Patativa,
Ele é um colega meu.

Na recepção imensa
De rabeca e cantoria,
Chegou em nossa presença
Castro Alves da Bahia,
Com muita satisfação
Apertou a minha mão
E me disse com amor:
Sei tudo que aconteceu,
Lá na Terra onde viveu
Foi poeta e professor.

Lá na Terra de Iracema
Com a sua poesia,
Abordou o mesmo tema
Que eu abordei na Bahia,
Foi grande amigo do povo
Preto, branco, velho e novo,
Com sextilhas e sonetos
E num esforço varonil
Foi defensor do Brasil
Dos pobres, brancos e pretos.
Com este mesmo ideal
Eu cantei, cantei, cantei,
Lá na Terra de Cabral
O maior exemplo dei,
Porém hoje eu vejo tudo,
Quer tenha ou não tenha estudo,
Ou de maneira qualquer,
Naquele país distante
Por mais que o poeta cante,
Não alcança o que ele quer.

Com esta declaração
A qual eu não conhecia
Dei um aperto de mão
No poeta da Bahia,
Mas vi que tudo aquilo era
O que chamamos quimera
Ou ilusão do sentido,
No sono fui bem-ditoso,
Mas despertei desgostoso
Porque não tinha morrido.

 

Patativa de Assaré, Melhores poemas

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