Patativa do Assaré

Patativa do Assaré – A ligeira do ão

Ai, dão, dão,

Tem a ligeira do a,
Tem a ligeira do ão,
A do ão foi eu quem fiz,
Ninguém que diga que não.

Ai, dão, dão,

A pior coisa do mundo
Que causa admiração,
É uma velha e uma moça
Dizendo malcriação.

Ai, dão, dão,

Como Narcisa e Toinha
Na beira do cacimbão,
Quando uma dizia sim,
A outra dizia não.

Ai, dão, dão,

Apontava com o dedo
E batia o pé no chão,
Pra ser um frango e um galo
Só faltava o esporão.

Ai, dão, dão,

Saiu tanto nome feio
Da caderneta do cão
Que até minhas laranjeiras
Ouvindo a esculhambação.

Ai, dão, dão,

Balançaram suas galhas
Caiu laranja no chão
Valha-me Nossa Senhora
Mãe de Deus da Conceição
Ai dão, dão,
Quando eu for ao Juazeiro
Rezar a minha oração
Vou trazer uma estátua
Do Padre Cícero Romão.

Ai, dão, dão,

E botar na minha baixa
Pegado no seu bastão
Para ver se essas mulheres
Respeitam meu cacimbão.
Ai, dão, dão,
Tenha de mim piedade
Mulher do meu coração,
Peço até por caridade
eu não mereço isto não!

Ai, dão, dão.

 

Patativa do Assaré, Melhores poemas

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