Amor é a coisa mais alegre amor é a coisa mais triste amor é coisa que mais quero. Por causa dele falo palavras como lanças. Amor é a coisa mais...
Adélia Prado
Adélia Prado – Poema começado do fim
Um corpo quer outro corpo. Uma alma quer outra alma e seu corpo. Este excesso de realidade me confunde. Jonathan falando: parece que estou num filme. Se eu lhe dissesse...
Adélia Prado – Ensinamento
Minha mãe achava estudo a coisa mais fina do mundo. Não é. A coisa mais fina do mundo é o sentimento. Aquele dia de noite, o pai fazendo serão, ela...
Adélia Prado – Moça na sua cama
Papai tosse, dando aviso de si, vem examinar as tramelas, uma a uma. A cumeeira da casa é de peroba-do-campo, posso dormir sossegada. Mamãe vem me cobrir, tomo a bênção...
Adélia Prado – Módulo de verão
As cigarras começaram de novo, brutas e brutas. Nem um pouco delicadas as cigarras são. Esguicham atarraxadas nos troncos o vidro moído de seus peitos, todo ele – chamado canto...
Adélia Prado – Campo-santo
Na minha terra a morte é minha comadre. Subo a rua Goiás, atrás de coisas miúdas, um chinelo, uma travessa, uma bilha nova, e, à medida que subo, mais chego...
Adélia Prado – Folhinha
A morte do escritor não se quer resolver dentro de mim. Mas não tenho gosto na infelicidade e por isso busco meu caminho como um verme sabe do seu, dentro...
Adélia Prado – Tulha
Ontem de noite a tentação me tentou, no centro da casa escura, no meio da noite escura. A noite dura seu tempo, mas a barra do dia barra, espanca a...
Adélia Prado – Bulha
Às vezes levanto de madrugada, com sede, flocos de sonho pegados na minha roupa, vou olhar os meninos nas suas camas. O que nessas horas mais sei é: morre-se. Incomoda-me...
Adélia Prado – Um Silêncio
Ela descalçou os chinelos e os arrumou juntinhos antes de pôr a cabeça nos trilhos em cima do pontilhão, debaixo do qual passava um veio d’água que as lavadeiras amavam....
Adélia Prado – Ruim
Me apanho composta: as vísceras, o espírito, meu ânima em dispneia. Nem uma seta consigo pintar na estrada. Ô tristeza, eu digo olhando meu livro. Ô bobagem. Ô merda, polivalentemente,...
Não quero nunca desejar a morte, a não ser por santidade, como a chamou Francisco: irmã. É quase 25 e nem um verso. Movo as pernas sem conter meus quadris,...
Adélia Prado – Grafito
Era uma vez um homem sem estudo que amava discursos. Tinha o punho firme para murro e ferros, mas apertava os olhos quando as belas frases, sua boca se abria...
Como um tumor maduro a poesia pulsa dolorosa, anunciando a paixão: “O crux ave, spes unica O passiones tempore.” Jesus tem um par de nádegas! Mais que Javé na montanha...
Adélia Prado – No meio da noite
Acordei meu bem pra lhe contar um sonho: Sem apoio de mesa ou jarro eram as buganvílias brancas destacadas de um escudo. Não fosforescia nem cheirava nem eram alvas. Eram...





