Zetho Cunha Gonçalves

Zetho Cunha Gonçalves – A minha companheira

[Tradição oral umbundu, Angola]

A minha companheira
nunca se molha,
nunca se queixa
do calor ou do frio.

Ambos comemos juntos
em todas as refeições.

Se lhe ofereço comida
ou se lhe ofereço de beber,
ela recusa

– porque não é capaz
de o fazer sozinha.

A minha companheira
segue-me sempre
e faz exatamente o que eu faço:

– se ando,
ela anda;
se paro,
ela para;
se me sento,
ela senta-se;
se me levanto,
ela levanta-se;
se me deito,
ela deita-se;
se falo,
ela fala

– mas ninguém ouve
o que ela diz

– a minha sombra.

 

Zetho Cunha Gonçalves, Rio sem margem

Você gostou deste poema?

Você Pode Gostar Também

Sem comentários

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.