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Paulo Henriques Britto

Paulo Henrique Britto – Scherzo

Paulo Henriques Britto

Ontem à noite, eu e você,
em plena cumplicidade
em vez de fechar as janelas
como todo mundo faz
deixamos as nossas abertas
só pra ver o que ia dar.

Deu nisso:
varreu as ruas um vento
saído de nossas janelas,
de dentro de nossas gavetas
onde nós há tanto tempo
guardávamos tempestades
pra algum dia especial
(que acabou sendo ontem).
O vento levou pedaços
de céu que atravancavam
nossos sóbrios conjugados;
enormes nuvens incômodas
rolaram janela afora
feito lerdos paquidermes
e se esparramaram a valer.
O ar fresco inesperado
de nossos apartamentos
causou transtornos na rua:
os transeuntes, coitados,
tossiam intoxicados
por excesso de oxigênio;
cambaleavam às tontas
pelas calçadas vazias.

Fui eu o primeiro a jogar
em baldes pela janela
a água clara que jorrava
de fontes desconhecidas
em áreas inexploradas
sob a cama e atrás do armário,
mas foi você quem soltou
do alto do oitavo andar
as primeiras plantas aquáticas,
os peixes, répteis e aves;
eu, porém, instituí
o pelo e o viviparismo
dos mamíferos essenciais.

E como as ruas já estavam
inteiramente povoadas,
e como já os postes da Light
todos tinham evoluído
em árvores colossais,
e como ainda não eram
nem três horas da manhã
e já estava terminado
o grosso da Criação,
descemos até a rua
em busca de um bar aberto.
No primeiro que encontramos
nossos milagres caseiros
eram o assunto geral;
e nós, sedentos e incógnitos,
pedimos duas cervejas
e ficamos contemplando
sem espanto nem orgulho
a grama tenra e miúda
que brotava a nossos pés.

 

Paulo Henrique Britto, Mínima lírica

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