A tarde cai, por demais Erma, úmida e silente… A chuva, em gotas glaciais, Chora monotonamente. E enquanto anoitece, vou Lendo, sossegado e só, As cartas que meu avô Escrevia...
Manuel Bandeira
Manuel Bandeira – Chama e fumo
Amor – chama, e, depois, fumaça… Medita no que vais fazer: O fumo vem, a chama passa… Gozo cruel, ventura escassa, Dono do meu e do teu ser, Amor –...
Manuel Bandeira – Arte de amar
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma. A alma é que estraga o amor. Só em Deus ela pode encontrar satisfação. Não noutra alma. Só em...
Manuel Bandeira – Confissão
Se não a vejo e o espírito a afigura, cresce este meu desejo de hora em hora… Cuido dizer-lhe o amor que me tortura, O amor que a exalta e...
Manuel Bandeira – Canto de natal
O nosso menino Nasceu em Belém. Nasceu tão-somente Para querer bem. Nasceu sobre as palhas O nosso menino. Mas a mãe sabia Que ele era divino. Vem para sofrer A...
Eu queria a estrela da manhã Onde está a estrela da manhã? Meus amigos meus inimigos Procurem a estrela da manhã Ela desapareceu ia nua Desapareceu com quem? Procurem por...
Manuel Bandeira – Desencanto
Eu faço versos como quem chora De desalento… de desencanto… Fecha o meu livro, se por agora Não tens motivo nenhum de pranto. Meu verso é sangue. Volúpia ardente… Tristeza...
Manuel Bandeira – Epígrafe
Sou bem-nascido. Menino, Fui, como os demais, feliz. Depois, veio o mau destino E fez de mim o que quis. Veio o mau gênio da vida, Rompeu em meu coração,...

