Belo belo belo Tenho tudo quanto quero, Tenho o fogo de constelações extintas há milênios, E o risco brevíssimo — que foi? Passou — de tantas estrelas cadentes. A aurora...
Manuel Bandeira
Fiz tantos versos a Teresinha… Versos tão tristes, nunca se viu! Pedi-lhe coisas. O que eu pedia Era tão pouco! Não era glória… Nem era amores… Nem foi dinheiro… Pedia...
Se fosse dor tudo na vida, Seria a morte o grande bem. Libertadora apetecida, A alma dir-lhe-ia, ansiosa: — “Vem! Quer para a bem-aventurança Leves de um mundo espiritual A...
Manuel Bandeira – Renúncia
Chora de manso e no íntimo… Procura Curtir sem queixa o mal que te crucia: O mundo é sem piedade e até riria Da tua inconsolável amargura. Só a dor...
Manuel Bandeira – Desencanto
Eu faço versos como quem chora De desalento… de desencanto… Fecha o meu livro, se por agora Não tens motivo nenhum de pranto. Meu verso é sangue. Volúpia ardente… Tristeza...
Manuel Bandeira – Ternura
Enquanto nesta atroz demora, Que me tortura, que me abrasa, Espero a cobiçada hora Em que irei ver-te à tua casa; Por enganar o meu desejo De inteira e descuidada...
Manuel Bandeira – Auto-retrato
Provinciano que nunca soube Escolher bem uma gravata; Pernambucano a quem repugna A faca do pernambucano; Poeta ruim que na arte da prosa Envelheceu na infância da arte, E até...
Manuel Bandeira – O pardalzinho
O pardalzinho nasceu Livre. Quebraram-lhe a asa. Sacha lhe deu uma casa, Água, comida e carinhos. Foram cuidados em vão: A casa era uma prisão, O pardalzinho morreu. O corpo...
Manuel Bandeira – Mulheres
Como as mulheres são lindas! Inútil pensar que é do vestido… E depois não há só as bonitas: Há também as simpáticas. E as feias, certas feias em cujos olhos...
Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Aqui eu...
Manuel Bandeira – Teresa
A primeira vez que vi Teresa Achei que ela tinha pernas estúpidas Achei também que a cara parecia uma perna Quando vi Teresa de novo Achei que os olhos eram...
Manuel Bandeira – Os sinos
Sino de Belém, Sino da paixão… Sino de Belém, Sino da paixão… Sino do Bonfim!… Sino do Bonfim!… Sino de Belém, pelos que ainda vêm! Sino de Belém, bate bem-bem-bem....
Manuel Bandeira – A Camões
Quando n’alma pesar de tua raça A névoa da apagada e vil tristeza, Busque ela sempre a glória que não passa, Em teu poema de heroísmo e de beleza. Gênio...
Quando eu tinha seis anos Ganhei um porquinho-da-índia. Que dor de coração me dava Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão! Levava ele prá sala Pra os lugares...
Manuel Bandeira – A estrela
Vi uma estrela tão alta, Vi uma estrela tão fria! Vi uma estrela luzindo Na minha vida vazia. Era uma estrela tão alta! Era uma estrela tão fria! Era uma...

