A paisagem parece um cenário de teatro. É uma paisagem arrumada. Os homens passam tranquilamente com a consciência de que estão representando. Todos passam indiferentes como se fosse a vida...
João Cabral de Melo Neto
A bailarina feita de borracha e pássaro dança no pavimento anterior do sonho. A três horas de sono, mais além dos sonhos, nas secretas câmaras que a morte revela. Entre...
Numa dessas tardes vazias, em que só se está, não se vive, da janela que dá para a rua, comercial, consular e triste, vi passar, entre as que passavam, uma...
As nuvens são cabelos crescendo como rios; são os gestos brancos da cantora muda; são estátuas em voo à beira de um mar; a flora e a fauna leves e...
Numa dessas tardes vazias, em que só se está, não se vive, da janela que dá para a rua, comercial, consular e triste, vi passar, entre as que passavam, uma...
Há um homem sonhando numa praia; um outro que nunca sabe as datas; há um homem fugindo de uma árvore; outro que perdeu seu barco ou seu chapéu; há um...
I Tu és a antecipação do último filme que assistirei. Fazes calar os astros, os rádios e as multidões na praça pública. Eu te assisto imóvel e indiferente. A cada...
Certos autores são capazes de criar o espaço onde se pode habitar muitas horas boas: um espaço-tempo, como o bosque. Onde se ir nos fins de semana, de férias, até...
No Engenho Poço não nasci: minha mãe, na véspera de mim, veio de lá para a Jaqueira, que era onde, queiram ou não queiram, os netos tinham de nascer, no...
Catar feijão se limita com escrever: joga-se os grãos na água do alguidar e as palavras na folha de papel; e depois, joga-se fora o que boiar. Certo, toda palavra...

