Bruna Beber

Bruna Beber – 131

Sempre limpo os pés antes de entrar
no sono e aí um frango inteiro lindo
e cru me tira para dançar

O filme é a revolta dos folclores e o mundo
se carameliza em bosta, toda vaca
é gordona e a terra cinza de papel

Os prédios têm mais nome de mulher
que nome de homem, e o azul é o azul
céu do centro-oeste brasileiro

Uma TV a flores ligada
na cena de um mandacaru
nascendo no dedão do pé

Bate aquela vontade de voar
e de descer a escada de barriga
pelo corrimão, cair de cara e morrer

Mas tomar distância num copo de pinga
beber leite pra brincar, depois pinga
depois distância de novo e cantar

A cabeça suja é boa para as coisas
que fazemos em cima dos castanheiros
por exemplo nada, e também um poema.

 

Bruna Beber, Ladainha

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