Alcides Villaça

Alcides Villaça – Esses poetas

image_pdfimage_print

Esse tem um plano, e já se aplaude.
Esse arde em memória, lembra e sopra.
Esse quer ter saudade, abre e morde.
Esse tem mistério, solta e fecha.
Esse faz humor, diz que desdiz.
Esse tem traçados, pesos, balanças.
Esse faz versinhos, chuleia em casa.
Esse faz história, borda pra fora.
Esse é rapsodo, come de tudo.
Esse é noctívago, retoca olheiras.
Esse é sonâmbulo, vive em sacadas.
Esse é pintor, usa dedos de água.
Esse é diabético, requer penínsulas.
Esse é ingênuo, dá o braço a virgílio.
Esse é irônico, quase não confessa.
Esse é dramático, cospe a própria máscara.
Esse é profundo, nunca vem à tona.
Esse é tão casto, toca luvas na harpa.
Esse é sem norte, sem sul, sem sorte.
Esse é tão seco, ninguém tem saco.
Esse é tão sutil, dedilha anagramas.
Esse é tão ambíguo, versos tão bimembres.
Esse é tão puro, tão puro, tão puro.

 

Alcides Villaça, Ondas curtas

Você gostou deste poema?

1 Comentário

  • Responder
    Leda Lucas
    10/02/2021 at 15:03

    Amei esse poema do querido professor Alcides Villaça.
    Pensei num poema estruturado com o pronome “Essa”.

  • Deixe uma resposta

    Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.