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Lubi Prates

Maya Angelou

Maya Angelou – Onde pertencemos, um dueto

Maya Angelou – Onde Pertencemos, Um Dueto – poema traduzido por Lubi Prates

Onde pertencemos, um dueto
Em toda cidade e povoado,
Em toda praça,
Em lugares lotados
Eu vasculhei os rostos
Esperando encontrar
Alguém com quem me importar.
Eu encontrei significados misteriosos
Nas estrelas distantes,
Então, fui para salas de aula
E salões de jogos
E bares mal iluminados.
Desafiando o perigo,
Saindo com estranhos,
De quem não lembro nem os nomes.
Eu era rápida e animada
E sempre fácil
Jogando os jogos românticos.
Eu levei para jantar mil exóticas Joans e Janes
Em salões de dança empoeirados, em bailes de debutantes,
Em solitárias estradas do campo.
Eu me apaixonava para sempre,
Duas vezes por ano, mais ou menos.
Eu os atraía suavemente, era completamente deles,
Mas eles sempre me deixavam ir.
Dizendo tchau por agora, não precisamos tentar agora,
Você não tem um certo charme.
Muito sentimental e muito gentil
Eu não tremo nos seus braços.
Então, você apareceu na minha vida
Como um amanhecer prometido.
Iluminando meus dias com o brilho dos seus olhos.
Eu nunca fui tão forte,
Agora que estou onde pertenço.

Maya Angelou, Poesia Completa – Tradução, Lubi Prates

Sobre Maya Angelou e “Onde Pertencemos, Um Dueto”

“Onde Pertencemos, Um Dueto” é um dos poemas mais tocantes de Maya Angelou. Nele, a voz poética percorre o mundo à procura de alguém com quem se importar. No entanto, o que encontra, ao longo da jornada, são apenas despedidas. Por isso, o poema revela o que há de mais humano na obra de Angelou: a necessidade de pertencimento que só se completa no encontro com o outro.

Maya Angelou: a poetisa que transformou dor em resistência

Nascida em St. Louis, Missouri, em 4 de abril de 1928, Maya Angelou viveu de perto as contradições da América. A segregação racial e a violência marcaram sua infância, mas não impediram que construísse uma das carreiras mais diversas da literatura americana. Escritora, poetisa, atriz, cantora e ativista dos direitos civis, tornou-se uma voz central do movimento negro ao trabalhar ao lado de Martin Luther King Jr. e Malcolm X. Sua obra, no entanto, vai além da militância. Os poemas tocam na intimidade, no amor, na perda e na dignidade de existir. Por tudo isso, ler Angelou é ler a experiência humana em toda a sua complexidade.

Maya Angelou onde pertencemos um dueto: a busca que se completa

No poema, a voz poética vaga por cidades, estrelas e relações passageiras. Apesar de toda a busca, encontra apenas despedidas — e a sensação de não ter o charme certo. Contudo, a virada chega com a imagem do amanhecer prometido: simples e luminosa, em contraste com a jornada intensa que veio antes. Por fim, o verso — Agora que estou onde pertenço — não soa como rendição, mas como completude. Além disso, a tradução de Lubi Prates preserva com precisão o ritmo e a intimidade do original em inglês.