A bela bola rola: a bela bola do Raul. Bola amarela, a da Arabela. A do Raul, azul. Rola a amarela e pula a azul. A bola é mole, é...
Cecília Meireles
Cecilia Meireles – Tanta tinta
Ah! Menina tonta, toda suja de tinta mal o sol desponta! (Sentou-se na ponte, muito desatenta… E agora se espanta: Quem é que a ponte pinta Com tanta tinta?…) A...
Cecilia Meireles – Máquina breve
O pequeno vaga-lume com sua verde lanterna, que passava pela sombra inquietando a flor e a treva — meteoro da noite, humilde, dos horizontes da relva; o pequeno vaga-lume, queimada...
Cecilia Meireles – Gargalhada
Homem vulgar! Homem de coração mesquinho! eu te quero ensinar a arte sublime de rir. Dobra essa orelha grosseira, e escuta o ritmo e o som da minha gargalhada: Ah!...
Cecilia Meireles – Explicação
O pensamento é triste; o amor, insuficiente; e eu quero sempre mais do que vem nos milagres. Deixo que a terra me sustente: guardo o resto para mais tarde. Deus...
À tarde, o cavalinho branco está muito cansado: mas há um pedacinho do campo onde é sempre feriado. O cavalo sacode a crina loura e comprida e nas verdes ervas...
Cecilia Meireles – Pranto no mar
Eu sempre te disse que era grande o oceano para a nossa pequena barca. Cantavas, quando eu te dava o desengano de partir por água tão larga. Não, tu não...
Lulu, lulu, lulu, lulu vou fazer uma cantiga para o anjinho de São Paulo que criava uma lombriga. A lombriga tinha uns olhos de rubim. Tinha um rabo revirado no...
Cecilia Meireles – A Bailarina
Esta menina tão pequenina quer ser bailarina. Não conhece nem dó nem ré mas sabe ficar na ponta do pé. Não conhece nem mi nem fá mas inclina o corpo...
Cecilia Meireles – Quintanares
O Natal foi diferente porque o Menino Jesus disse à Senhora Sant’Ana: “Vovozinha, eu já não gosto das canções de antigamente: cante as do Mario Quintana!” Viram-se então os anjinhos...
Vejo-te em seda e nácar, e tão de orvalho trêmula, que penso ver, efêmera, toda a Beleza em lágrimas por ser bela e ser frágil. Meus olhos te ofereço: espelho...
Cecilia Meireles – A Noite
A noite é essa escuridão tão envolvente que parece um exercício de morte: assim vai desaparecendo tudo, assim desaparecemos dos outros e de nós. Apenas respiramos. Podem cortar esse último...
Cecilia Meireles – Festa
Jardins de raciocínio: teoremas de flor em flor. Assim as pedras e a areia. Agora, os cultivadores contentes meditam. E as tulipas de todas as cores tecem longos tapetes sossegados....
Cecilia Meireles – Da Solidão
Estarei só. Não por separada, não por evadida. Pela natureza de ser só. No entanto, a multidão tem sua musica, seu ritmo, seu calor, e deve ser uma felicidade, às...
Cecilia Meireles – Retrato
Eu não tinha este rosto de hoje, Assim calmo, assim triste, assim magro, Nem estes olhos tão vazios, Nem o lábio amargo. Eu não tinha estas mãos sem força, Tão...

