Devagar escreva uma primeira letra escreva nas imediações construídas pelos furacões; devagar meça a primeira pássara bisonha que riscar o pano de boca aberto sobre os vendavais; devagar imponha o...
Ana Cristina Cesar
Ana Cristina Cesar – Fagulha
Abri curiosa o céu. Assim, afastando de leve as cortinas. Eu queria entrar, coração ante coração, inteiriça ou pelo menos mover-me um pouco, com aquela parcimônia que caracterizava as agitações...
devagar escreva uma primeira letra escrava nas imediações construídas pelos furacões; devagar meça a primeira pássara bisonha que riscar o pano de boca aberto sobre os vendavais; devagar imponha o...
Te acalma, minha loucura! Veste galochas nos teus cílios tontos e habitados! Este som de serra de afiar facas não chegará nem perto do teu canteiro de taquicardías… Estas molas...
É como a vela que se apaga, E a fumaça sobe e se atenua. É o amor fraco que se apaga, Não adiantam poemas para a lua. Sofre o homem,...
Era uma terceira noite. O giroscópio girava girando. Minha gravata balouçava no ar. Meus guizos tocavam tocando. Meu coração batia batendo. Subi as escadas da noite. Desci as escadas do...
Alguns estão dormindo de tarde, outros subiram para Petrópolis como meninos tristes. Vou bater à porta do meu amigo, que tem uma pequena mulher que sorri muito e fala pouco,...
Tarde da noite recoloco a casa toda em seu Lugar. Guardo os papéis todos que sobraram. Confirmo para mim a solidez dos cadeados. Nunca mais te disse uma palavra. Do...
Onde seus olhos estão as lupas desistem. O túnel corre, interminável pouco negro sem quebra de estações. Os passageiros nada adivinham. Deixam correr Não ficam negros Deslizam na borracha carinho...
Ana Cristina Cesar – Lá fora
há um amor que entra de férias. Há um embaçamento de minhas agulhas nítidas diante dessa boa bisca de mulher. Há um placar visível em altas horas, pela persiana deste...
Movido contraditoriamente por desejo e ironia não disse mas soltou, numa noite fria, aparentemente desalmado; – Te pego lá na esquina, na palpitação da jugular, com soro de verdade e...
Tenho escrito longamente sobre este assunto Aizita traz o chá Bebericamos na varanda Nenhum descontrole na tarde Intervalo para as folhas caindo da árvore em frente que nos entra pela...
Não preciso nem casar Tiro dele tudo o que preciso Não saio mais daqui Duvido muito Esse assunto de mulher já terminou O gato comeu e regalou-se Ele dança que...
Não me toques nesta lembrança. Não perguntes a respeito que viro mãe-leoa ou pedra-lage lívida ereta na grama muito bem-feita. Estas são as fazes da minha fúria. Sob a janela...
Tantos poemas que perdi. Tantos que ouvi, de graça, pelo telefone – taí, eu fiz tudo pra você gostar, fui mulher vulgar, meia-bruxa, meia-fera, risinho modernista arranhando na garganta, malandra,...

