Estou tão velha,
corte-me as unhas.
Estou tão velha,
escove-me os dentes.
Cubra-me, temo estar despida.
Cansada já, aos quinze minutos do segundo mistério.
Cochila e deixa cair o terço
que reza para que eu nasça forte
e vire uma santa de peso.
Ó mãe, mãezinha, minha querida,
santa é a senhora,
que não tem culpa de nada.
Os fetos já sabem tudo.
Adélia Prado, O jardim das Oliveiras



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