Vinicius de Moraes, poeta e letrista brasileiro, autor de Ternura
Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma…
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.
Vinicius de Moraes, Pela luz dos olhos teus
Sobre Vinicius de Moraes e “Ternura”
Vinicius de Moraes Ternura é um dos poemas mais delicados de toda a sua obra. Por isso, merece atenção especial — nele, o poetinha pede perdão por amar. Além disso, o poema revela o que há de mais genuíno em sua poética: o amor como entrega total, sem exaspero e sem promessas vazias.
Vinicius de Moraes nasceu no Rio de Janeiro, em 1913. Por isso, carrega em sua obra toda a musicalidade e sensualidade carioca. Além disso, foi diplomata, jornalista e um dos maiores letristas da MPB. Dessa forma, sua poesia transita com facilidade entre o lírico e o musical — entre a página e a canção.
É o autor de A Felicidade, Garota de Ipanema e Eu sei que vou te amar. No entanto, sua poesia vai muito além das músicas. Portanto, em livros como Pela luz dos olhos teus, Vinicius constrói um universo amoroso de rara delicadeza. Você pode conhecer mais sobre sua obra em outros poemas de Vinicius de Moraes aqui no Tudo é Poema.
Em “Ternura”, o eu lírico não declara o amor com euforia. Ao contrário, pede perdão por amar de repente. Assim, o poema começa com uma confissão incomum — a de quem sente demais e se desculpa por isso. No entanto, essa humildade é, portanto, a maior demonstração de afeto.
Os versos finais são os mais memoráveis. Da mesma forma que a noite cede à aurora, o amor descrito por Vinicius é suave e inevitável. Por isso, “Ternura” permanece atual — porque fala de um sentimento que não envelhece. Ademais, Vinicius de Moraes faleceu em 1980, mas sua obra continua sendo uma das mais lidas e amadas da literatura brasileira.