José Saramago

José Saramago – Corpo

Talvez atrás dos olhos, quando abertos,
Uma cinzenta luz de madrugada
Ou vago sol oculto entre névoa.
O resto é escuridão, onde se esconde,

Entre colunas de ossos e arcadas,
Como animais viscosos, palpitando,
A soturna cegueira das entranhas.
O resto se compõe de fundas grutas,

De abismos insondáveis que demonstram,
Ao compasso do sangue e da memória,
As medidas do tempo irrecusado.

Tudo tão pouco e tanto quando, lenta,
Na penumbra dos olhos se desenha
A lembrança dum corpo retirado.

 

José Saramago, Cinco séculos de sonetos Portugueses

Tudo é Poema

Publicado por
Tudo é Poema

Poemas Recentes

Sergio Vaz – Porém

Queria ter vivido… Leia Mais

2 semanas atrás

Lya Luft – Canção Romântica

Quando eu morrer… Leia Mais

3 semanas atrás

Maya Angelou – Onde pertencemos, um dueto

Onde pertencemos, um… Leia Mais

4 semanas atrás